quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Financiamento do crime

"Acho isso uma besteira. É difícil dizer que o usuário financia o tráfico. As armas que são usadas nas favelas do Rio de Janeiro, por exemplo, são russas, iraquianas e americanas. Não tem um usuário que leva lá. A gente tem uma polícia corrupta. Todo mundo tem culpa nisso." Marcelo D2 para o Jornal Extra no dia 22/09/09.

Começo o assunto justamente citando na íntegra o que fora publicado no jornal citado como sendo declarações do nosso famoso músico que tem 18 processos por apologia ao uso de maconha, dado também citado pelo jornal. Bem, sabemos que não é de hoje que o D2 defende a legalização da maconha, assim como algumas pessoas também a defendem, o que por um lado tem até certa lógica, já que o governo ganha dinheiro recolhendo impostos sobre "drogas legais", que são o álcool e o cigarro.

Bem, se maconha faz ou não mal a saúde, se ela vicia ou não mais que o cigarro, eu não entrarei no mérito da questão, pois tem estudiosos no assunto que podem saber se vale ou não vale a pena o governo legalizar a maconha. Mas vamos fazer um simples exercício mercadológico e notar o absurdo citado pelo cantor e compositor citado...

Se alguém financia uma pessoa, significa que esta mesma pessoa recebe dinheiro do tal alguém. O tal alguém não precisa entregar o material, até porque ele deixaria de ser financiador para fornecedor, uma diferença clara. Então seguindo no mesmo rumo, imaginamos o tráfico de drogas pelo simples âmbito de um comércio clandestino, que como todo o comércio segue a famosa lei do mercado de oferta e procura. Portanto se eu compro uma droga, estou dando dinheiro ao traficante, então é mais que óbvio que estou financiando-o.

Se a quantidade de financiamento é grande ou pequena, como qualquer comércio no mundo, depende de quem oferta, a raridade e qualidade do produto, e o principal: poder aquisitivo do consumidor! É mais que claro que aquele desempregado que é viciado em cocaína não terá como manter seu vício, exceto que ele venha a fazer "serviços" secundários, como roubar, tomar conta de boca de fumo e outros meios ilegais, para assim manter seu vício. Mas os "playboys" que possuem dinheiro para queimar em drogas, eles não querem saber quanto custa a droga, desde que seja de "alta qualidade". Portanto eles são na realidade os maiores financiadores do crime organizado.

Os fuzis, pistolas, revólveres, grandas e até bazucas trazidas de fora pode e deve ter policiais corruptos envolvidos, pois trazer estes produtos pelas fronteiras federais e estaduais sem levantar suspeitas é no mínimo... suspeito. Entretanto vale lembrar que o mercado bélico é um dos mais rentáveis e ferozes que existem no mundo e ninguém iria "doar" armamentos para traficantes brasileiros. Para que as armas chegem até eles, precisam comprar. Com que dinheiro eles compram?! Com o dinheiro do tráfico de drogas, que por sua vez não são necessariamente produzidos em nosso país, mas para tudo isso tem seu lucro e portanto com o lucro os traficantes podem "expandir territórios" ou "proteger suas áreas de domínio". Não muito difere de certos países por aí...

Mas aí o leitor deve estar se perguntando: se é tão óbvio porque tantas pessoas, assim como o D2, tentam "inocentar" o usuário da culpa no aumento da criminalidade e do poder do tráfico? E eu respondo que isto é um movimento dos que possuem maior status social tentarem desvencilar e aliviarem as penas de seus semelhantes, geralmente os filhos, de serem taxados como "drogados", "bandidos" ou simples "financiadores do tráfico". Claro que considero que usuário deve ser tratado de modo diferenciado no que conta em tratamento, pois um usuário dependente é diferente de um traficante. Entretanto os usuários são tão cúmplices quanto os fornecedores de armas para os traficantes para o aumento da criminalidade. Isso sem contar nos crimes que eu chamaria de secondários, como um cara "doidão" agredir ou matar alguém, consciente ou inconscientemente. Mas como os maiores financiadores mesmo tem certo poder aquisitivo e se sentem melhores que os que moram na favela e só porque não seguram um fuzil ou fazem trabalho de "aviãozinho" para suprir seu vício, querem se sentir "afastados" da situação que ajudaram a instaurar e alimentam com seu dinheiro.

No final das contas, usuário financia o tráfico, assim como o cliente do McDonald's financia o BigMac. Se eu compro o produto, é claro que estou financiando a compra de algo, nem que seja matéria prima para novos produtos, para o que está me vendendo, já que o significado da palavra financiar no Aurélio significa fornecer dinheiro, fundos, capitais; custear as despesas, a compra de alguma coisa. A verdade precisa ser encarada de frente para que a sociedade realmente mude de atitudo e não tentar maquiá-la...

Sorte do dia by orkut: Simplicidade é o que há de mais sofisticado

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Seu carro é seu Gundam?

Por mais estranho que possa parecer, muita gente acha que seu carro é um Gundam, um poderoso robo gigante construído para batalhas. Pelo menos é assim como muitos se comportam ao se sentarem atrás do voltante de um automóvel. Parece que são superiores aos demais e podem fazer qualquer coisa com isso. Se sentem também mais atraentes e irresistíveis. Tanto que até hoje tem lugares e grupos que consideram aquele que tem um carro possante "o cara".

Interessante que de certo modo tem uma certa razão, pois um carro é veículo pesado, de mais de uma tonelada, e potente, pois pode atingir facilmente 60 km/h, uma velocidade bem "babaca" mas que ao colidir o impacto proporcional a velocidade ao quadrado e multiplicada pelo peso do veículo. Tais características transformam este simples veículo de transporte em uma potente arma contra quem está a pé e até quem está em outros veículos, já que uma simples colisão em uma velocidade considerada baixa para muitos, pode matar facilmente se no momento da colisão for uma pessoa. Então a pergunta simples é, por que com um objeto tão perigoso ainda tem gente que insiste em beber e dirigir?

Essa semana fiquei assustado com uma reportagem que foi exibida no Jornal Nacional, onde um motorista mineiro, embriagado, ao ser abordado por policiais, já que demonstrava estar alcoolizado claramente, partiu em desparada, dando início a uma perseguição pelo centro da cidade. Este ser inconsequênte causou ao longo de sua fuga três acidentes, sendo que um deles o famigerado atropelou uma mulher que andava pelas ruas e NADA tinha a ver com a história. Ela acabou morrendo de imediato, sendo que o motorista sequer prestou socorro e continuou fugindo. Ou seja, por conta de um ato um tanto ridículo, uma família provavelmente foi destruída.

O mesmo acontece para aqueles que insistem em desafiar os limites de velocidade, acelerando como se a vida fosse um video game, como GTA por exemplo. Não sei o motivo específico, mas sei que a velocidade sempre mexeu com o ser humano e ainda mais quando se está com álcool no sangue, esta mistura é terrível. Muitos fazem isso para simplesmente aparecer para outros, para aparecerem mesmo. Já vi alguns dizerem que é frustação, muitas sexuais, e portanto uma projeção disso em algo que lhe dá um sentimento de poder. Outros dizem que simplesmente a sensação de poder nua e crua. Como o carro é algo legal de maior facilidade, é o que ocorre. O mesmo seria em certos lugares com a posse de uma arma, como em áreas dominadas pelo tráfico, onde jovens querendo esse "poder" entram para a vida de crime, mesmo sabendo que é uma vida sem muito futuro, onde eu dirinha nenhum na verdade.

O mais chato de quem fica vendo essas barbaridades é ver que existe a lei seca que impede o motorista que ingeriu alguma bebida alcoolica de dirigir na prática não é muito eficaz, já que se o motorista bêbado se recusar a fazer o teste do bafômetro ele também pode se negar a fazer exame de sangue, tudo porque uns juizes interpretaram que o cidadão pode se recusar a fazer um exame pos estaria fornecendo prova contra si mesmo. A pergunta que fica no ar é se os tais juízes já tiveram um conhecido ou parente atropelado? Nem pergunto se a pessoa morreu, mas se foi atropelado porque um ser estava embriagado. O pior que destes que se recusaram, quase a totalidade deles foram inocentadas depois. Um completo absurdo como as coisas são encaminhadas nesse país, fazendo leis que poderiam fazer diferença virarem uma verdadeira piada.

Só fica o lembrete que seu carro não é um Gundam, logo mesmo o motorista está passível de morrer em um acidente. Ou mesmo perder membros da família para outros motorista bêbado. Acho que se todos na sociedade não estivessem tão desapegados a vida alheia, a violência em uma escala geral seria menor. Noto que a sociedade brasileira aos poucos caminha para um estado de total desapego e respeito a vida se continuar assim. Espero que esse quadro mude, pois acredito que pode-se mudar, mas vendo casos de violências, desde no trânsito a criminais, é triste ver como a cada dia cada um dá menos valor a vida e que as autoridades não conseguem mudar e acabam até se contaminando, gerando violência policial. O fato é que violência gera mais violência, em qualquer escala e âmbito...

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