quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Conversa no Espelho – Quanto vale o amor?

Eu estou meio sem tempo de postar aqui, como já perceberam, e decidi postar aqui um texto que escrevi em um momento de tédio, refletindo em coisas que as pessoas falam e falando sozinho em minha mente quando veio a inspiração justamente de ficar falando consigo mesmo em escrever um texto de um homem que falava com seu reflexo no espelho. Um diálogo meio maluco, mas que tem como inspiração o tema amor. Postei este texto no fórum Lendas Infinitas originalmente. Agora segue o texto em si...

Um jovem homem estava parado em frente a um espelho. Ele estava se questionando se sua bela e amada namorada o amava tanto quanto ele a amava, pois precisava ter certeza para tomar uma importante decisão, quando...

- O quanto será que ela me ama? – Perguntara o homem a si mesmo no espelho com uma expressão triste.

- O “quanto” ela o ama? Queres quantificar o amor? – Respondeu o reflexo no espelho ao homem, este se assustando de início, logo respondeu a pergunta.

- Não quero quantificar, não me importa o tamanho dele, mas quero compará-lo...

- Compará-lo com o que?

- Com o meu amor por ela. Preciso saber se ela me ama do mesmo modo que eu a amo.

- Mas amor não se comparar, não se mede. Se aceita ou se recusa, somente isso. Não achas?

- Acho, pelo menos achava. Mas noto que ela não me trata como eu a trato. Não age como eu queria que ela agisse comigo...

- Aí está o ponto! Você quer que ela o ame do seu modo ou do modo que você quer que ela ame?

- Do modo dela... – Respondeu o homem meio titubeante em suas palavras.

- Não sinto convicção em ti. É o que você no fundo deseja?

- Não sei... Eu esperava que ela agisse como eu ajo com ela. É o que eu imagino como expressão de amor. É a minha visão de gostar, de querer, de amar...

- Dissestes bem. És a minha visão. Não que ela seja a visão correta, a visão absuluta. Mas essa resistência existe justamente por querer que as coisas sejam como você quer, como idealizou. No final, quer moldar o amor que ela sente por ti para que o agrade, não estou certo?

- Não sei... Não creio que eu seja tão mesquinho assim...

- Não que sejas mesquinho, mas apenas... egoísta. Você está dando esperando receber algo igual em troca. Mas não estas preparado para receber algo que ela considere equivalente, mas não igual. Só em estar deixando na mão dela a escolha do que é equivalente já pode gerar dúvidas. Mas amor não é também composto por confiança?

- Sim, é... Será que tenho que confiar mais nela e no amor dela? Não posso dizer o que espero receber dela?

- Se disseres o que espera receber será que será... espontâneo?

- Creio que... não... – o semblante do jovem se entristece, pois lembrara que havia sempre sugerido como queria ser tratado por sua namorada e pouco havia perguntado a ela como ela queria ser tratada.

- Não se entristeça. Isso é mais normal que pensas... Mas deves lembrar-se de que amor é algo estritamente subjetivo. Muitos não acreditam nele. Outros acreditam que seja algo divino, mas cada um, mesmo que seja semelhante em alguns pontos, tem sua visão particular do amor. Portanto se exigir que o amor dela seja como você espera, o que estará fazendo?

- Moldando-o.

- Exatamente... Você receberá algo que está amarrado a correntes que tu mesmo colocastes. Vai receber o que espera, mas não terá a surpresa do inesperado! Não vai receber um amor livre, que gere algo que não contava!

- Realmente... Se eu o moldar, deixarei de me surpreender com atos como nunca esperava... – O jovem lembra-se que nunca havia imaginado receber flores de sua namorada em seu aniversário de namoro, como ela fez quando completaram o primeiro ano juntos.

- E o que acontece quando você começa a vivenciar algo que já sabe o que vai acontecer sempre?

- Vem o tédio e a monotonia...

- Isso mesmo. Depois reclamam que o amor esfriou ou morreu. Mas esquece que foste tu mesmo quem o acorrentou, impedindo que florescesse. Foste tu mesmo quem quis medi-lo, impondo limites que você conhecia mas não deixou o amor dela quebrar ou simplesmente mostrar limites ainda maiores para o amor que você conhecia... E no final, colocaria a culpa no amor dela que não era igual ao seu...

- É... Tens razão... Não tem sentido eu questionar o quanto ela me ama. Apenas aceitar como ela me ama...

- E ver se a forma que ela te ama te faz feliz. Se estás feliz, o que importa se ele é maior ou menor? Ele pode ser menor em tamanho, mas pode ser mais forte que imagina...

- Estas certo meu reflexo! Agora mesmo irei comprar as alianças e pedi-la em casamento. Origado!

- Não me agradeça. Agradeça a si mesmo por parar e se ouvir... – Respondeu o reflexo, sumindo juntamente com o jovem, que saiu correndo pela porta com um sorriso largo em seu rosto e olhos reluzindo o brilho da alegria.

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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Financiamento do crime

"Acho isso uma besteira. É difícil dizer que o usuário financia o tráfico. As armas que são usadas nas favelas do Rio de Janeiro, por exemplo, são russas, iraquianas e americanas. Não tem um usuário que leva lá. A gente tem uma polícia corrupta. Todo mundo tem culpa nisso." Marcelo D2 para o Jornal Extra no dia 22/09/09.

Começo o assunto justamente citando na íntegra o que fora publicado no jornal citado como sendo declarações do nosso famoso músico que tem 18 processos por apologia ao uso de maconha, dado também citado pelo jornal. Bem, sabemos que não é de hoje que o D2 defende a legalização da maconha, assim como algumas pessoas também a defendem, o que por um lado tem até certa lógica, já que o governo ganha dinheiro recolhendo impostos sobre "drogas legais", que são o álcool e o cigarro.

Bem, se maconha faz ou não mal a saúde, se ela vicia ou não mais que o cigarro, eu não entrarei no mérito da questão, pois tem estudiosos no assunto que podem saber se vale ou não vale a pena o governo legalizar a maconha. Mas vamos fazer um simples exercício mercadológico e notar o absurdo citado pelo cantor e compositor citado...

Se alguém financia uma pessoa, significa que esta mesma pessoa recebe dinheiro do tal alguém. O tal alguém não precisa entregar o material, até porque ele deixaria de ser financiador para fornecedor, uma diferença clara. Então seguindo no mesmo rumo, imaginamos o tráfico de drogas pelo simples âmbito de um comércio clandestino, que como todo o comércio segue a famosa lei do mercado de oferta e procura. Portanto se eu compro uma droga, estou dando dinheiro ao traficante, então é mais que óbvio que estou financiando-o.

Se a quantidade de financiamento é grande ou pequena, como qualquer comércio no mundo, depende de quem oferta, a raridade e qualidade do produto, e o principal: poder aquisitivo do consumidor! É mais que claro que aquele desempregado que é viciado em cocaína não terá como manter seu vício, exceto que ele venha a fazer "serviços" secundários, como roubar, tomar conta de boca de fumo e outros meios ilegais, para assim manter seu vício. Mas os "playboys" que possuem dinheiro para queimar em drogas, eles não querem saber quanto custa a droga, desde que seja de "alta qualidade". Portanto eles são na realidade os maiores financiadores do crime organizado.

Os fuzis, pistolas, revólveres, grandas e até bazucas trazidas de fora pode e deve ter policiais corruptos envolvidos, pois trazer estes produtos pelas fronteiras federais e estaduais sem levantar suspeitas é no mínimo... suspeito. Entretanto vale lembrar que o mercado bélico é um dos mais rentáveis e ferozes que existem no mundo e ninguém iria "doar" armamentos para traficantes brasileiros. Para que as armas chegem até eles, precisam comprar. Com que dinheiro eles compram?! Com o dinheiro do tráfico de drogas, que por sua vez não são necessariamente produzidos em nosso país, mas para tudo isso tem seu lucro e portanto com o lucro os traficantes podem "expandir territórios" ou "proteger suas áreas de domínio". Não muito difere de certos países por aí...

Mas aí o leitor deve estar se perguntando: se é tão óbvio porque tantas pessoas, assim como o D2, tentam "inocentar" o usuário da culpa no aumento da criminalidade e do poder do tráfico? E eu respondo que isto é um movimento dos que possuem maior status social tentarem desvencilar e aliviarem as penas de seus semelhantes, geralmente os filhos, de serem taxados como "drogados", "bandidos" ou simples "financiadores do tráfico". Claro que considero que usuário deve ser tratado de modo diferenciado no que conta em tratamento, pois um usuário dependente é diferente de um traficante. Entretanto os usuários são tão cúmplices quanto os fornecedores de armas para os traficantes para o aumento da criminalidade. Isso sem contar nos crimes que eu chamaria de secondários, como um cara "doidão" agredir ou matar alguém, consciente ou inconscientemente. Mas como os maiores financiadores mesmo tem certo poder aquisitivo e se sentem melhores que os que moram na favela e só porque não seguram um fuzil ou fazem trabalho de "aviãozinho" para suprir seu vício, querem se sentir "afastados" da situação que ajudaram a instaurar e alimentam com seu dinheiro.

No final das contas, usuário financia o tráfico, assim como o cliente do McDonald's financia o BigMac. Se eu compro o produto, é claro que estou financiando a compra de algo, nem que seja matéria prima para novos produtos, para o que está me vendendo, já que o significado da palavra financiar no Aurélio significa fornecer dinheiro, fundos, capitais; custear as despesas, a compra de alguma coisa. A verdade precisa ser encarada de frente para que a sociedade realmente mude de atitudo e não tentar maquiá-la...

Sorte do dia by orkut: Simplicidade é o que há de mais sofisticado