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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Onuris "Guia das Lâminas Invertidas"

Eu escrevi uma história para um personagem que irei usar em um RPG de Lobisomem, Apocalipse mestrado por uma amiga no fórum de RPGs Storyteller Bloody Angels e a história deste Garou da tribo Peregrinos Silenciosos e um Theurge, augúrio definido pelos nascido sob a Lua Crescente. Como gostei muito da história decidi postar aqui para compartilhar com vocês. Ainda vou jogar e é a primeira vez que jogo Lobisomem, mas já gostei muito do que li nos livros básico e da tribo. Enfim, sem mais enrolações, já que a história é longa, divirtam-se com a narração de uma terceira pessoa (eu) sobre a vida de Onuris, outrora conhecido como Pierre.

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Pierre Guiscard Bahadur, um rapaz marroquino filho de uma bela francesa de pele clara e cabelos loiros bem claros chamada Isabelle Guiscard com um marroquino de bela aparência, pele morena e cabelos negros chamado Faiz Bahadur. Pierre sempre fora um jovem um tanto introvertido, ficando sempre na sua em meio a outros. Gostava de analisar o comportamento dos colegas mas evitava muita interação. Sempre gostava de história e geografia, além de adorar pesquisar sobre mitos antigos, lendas esquecidas e se interessava pelo sobrenatural também. Seus gostos exóticos despertavam interesses por parte de alguns colegas, alguns curiosos, outros com medo e aqueles que não gostavam dele apenas por ser... diferente. O porte físico de Pierre nunca foi assustador, mas era do tipo saudável, mas pelo seu estilo, poucos percebiam isso. Embora Pierre evitasse brigas, quando eventualmente entrava em uma, era certo um colega ir para a enfermaria. Chegou a ser suspenso três vezes por quebrar partes do corpo de seus colegas que sempre começavam a briga jogando seus livros no chão e agredindo-o. Tirando a sua força inesperada, nada era estranho em Pierre até a puberdade quando começou a ter mais pêlos que o normal para um marroquino de sua idade. Seu pai cria que era herança da parte de sua mãe e sempre fazia esse tipo de piada. Realmente a família de Isabelle tinha homens muito peludos, mas o fato que seu próprio pai tinha mais pelos que o normal, mas nada demais. Provavelmente, concluia Pierre, era a combinação que resultou nisso. Por fim desistiu de andar com “cara limpa” e adotou o estilo de “barba por fazer”. Passou a se interessar por armas brancas e passou a colecioná-las.

Mas o mais estranho durante a puberdade, após seus 14 e 15 anos, foi o início de sonhos com espíritos, ouvir sons estranhos, ver vultos e sentir calafrios. Inicialmente eram eventos ocasionais, isolados que daria a entender ser simples e pura imaginação. Entretanto com o passar do tempo tais eventos foram ficando cada vez mais comuns e ele passou a considerar-se o que os outros chamam de pessoa “sensitiva”. Pobre garoto ingênuo... Pobre Pierre...

Ele na verdade ignorava o fato de ser bisneto de um grande guerreiro garou conhecido como Ruh Bahadur em meio a sociedade humana, mas conhecido como “Terror Prateado das Sombras”, um guerreiro da tribo dos Peregrinos Silenciosos que, segundo consta alguns, chegou a ajudar Van Hellsing contra Drácula, dentro outros feitos realizados ao sul da Europa. Faiz era filho de Abdul, que era filho de Ruh, mas este nunca contara a verdade a seu filho preferindo ser apenas considerado um pai ausente. Assim Abdul nunca contara muito a Faiz sobre seu avô. Assim, mesmo que questionado pela curiosidade sempre marcante por histórias do passado da família de origem provavelmente egípcia, Faiz nunca pode responder com precisão os questionamentos de seu filho. Por outro lado, a família Guiscard tinha uma herança antiga de garous sem grande projeção na sociedade garou. Mas o sangue de dois parentes, acabou que Pierre era um garou e nem ele nem sua família sabia da verdade.

Entretanto havia alguém que sabia. Era Amin “Olhos de Falcão Noturno”, um Theurge que sabia da herança genética da família de Bahadur e esperava ver em sua linhagem alguém que levasse o sangue nobre que outrora trouxera momentos vitoriosos a Gaia. Amin esperava que Gaia trouxesse novamente um herói que ajudasse a reverter a situação que se encontrava o mundo atual. Em segredo acompanhou o Faiz e em sua juventude e depois voltou a acompanhar os passos de Pierre, em nome de algum sinal de que fosse um garou. Entretanto o tempo passava e só haviam para ele sinal de que Pierre era um parente bem ligado as origens garou, mas nada além disso... Mas todos cometem erros, até os garous...

O erro de identificar em Pierre o sangue garou antes de outros resultou que em uma noite de lua crescente, quando Pierre havia, como de costume, ficado até tarde na biblioteca, praticamente sendo expulso para que a mesma fosse fechada, e já retornava tarde para casa quando deparou-se com ela tendo chamas no seu interior. Correu para salvar seus pais, quando foi bloqueado por um homem saindo da sua cass que vestia-se de preto e usava uma espécie de capa ou sobretudo, igualmente preto. Enquanto as chamas consumiam mais ainda a casa dos Bahadur, Pierre pode notar claramente no braço direito do homem a cabeça de seu pai decaptada. Ainda em choque, Pierre notou que o mesmo homem arrastava pelo lindo cabelo de sua mãe o corpo dela que sangrava com o ventre dilacerado e o vestido rasgado. Foi neste momento que Pierre se atentou para o rosto do ser e percebe um riso irônico ornamentado por presas similares aos vampiros que havia lido em livros sobre mitos. Da boca dele escorria sangue fresco. Foi então que o homem abriu a boca e falou:

- Hummm... Embora seja linda, sua mãe não tem um sangue tão delicioso quanto de seu pai... Isso sim é um sangue de heróis! Será que o seu é mais gostoso ainda?

Finalizou lambendo os lábios e arremessando a cabeça de Faiz longe. Este foi o último movimento que Pierre se lembra. Após isto, seguiu-se momentos que ele não consegue até hoje lembrar-se e, para ser sincero, creio que ele não deseja lembrar-se... Momentos de fúria intensa provavelmente foram o que vieram ao ser de Pierre. Testemunhas dizem terem ouvidor gritos amemdrontados de um homem e sons de um monstro. Creio que pela fúria da cena vista, pelo fato de ser um vampiro e pelos relatos, o que ocorreu foi que Pierre teve sua primeira transformação momentos antes de o vampiro atacá-lo. Isto provavelmente surpreendeu o vampiro, pegando-o de surpresa e frente a atrocidade de um Crinos enfurecido, ele nada pode fazer a não ser gritar de pânico, pois seu destino estava traçado pelas garras da fera insandecida a sua frente. Dizem que após os sons, um silêncio mórbido perdurou até um uivo ao mesmo tempo assustador e triste ser ouvido. Ninguém teve coragem de sair de casa e assim a casa dos Bahadur foi consumida por inteiro. Na manhã seguinte só foram encontrados os corpos de Faiz, que estava decaptado e com marcas de batalha, e de Isabelle, dilacerado e com marcas de violência sexual. Ao redor deles apenas marcas de sangue e poeira grossa como de um corpo cremado. Creio que já podemos entender o que aconteceu com o vampiro, certo? Deve ter sido despedaçado e após isso, virou pó ao raiar do sol.

Pierre só se lembra de ter acordado em um pequeno parque na periferia de Marrakech, distante de sua casa que ficava em Meknes. Estava completamente nu e foi acordado por um homem negro, careca, de feições serenas mas que transmitia força e confiança. Ele estendeu seu manto sobre Pierre e disse que o levaria aonde os seus semelhantes estariam próximo.

Assim Pierre passou a conhecer mais sobre sua linhagem, quem fora Ruh, ou melhor, “Terror Prateado das Sombras”. Foi apresentado a um grupo de Peregrinos que tinham costume de passarem pelo Marrocos, e passou a companhá-los em sua trilha que não era longa, ia apenas do Marrocos a Argelia, sempre pelo norte da Africa. Passou assim a conhecer mais sobre quem era e a que se destinava sua vida. Como quem olha um quebra-cabeças depois de montado pela primeira vez, assim se sentia Pierre. Tudo que viveu e sentiu fazia sentido agora. Inclusive e desgraça que abateu sobre sua vida até então “normal”, provavelmente era algum vampiro de um clã que fora castigado por seu bisavô e depois de muito pesquisar encontrou a descendência dele. O jovem sentia-se renascido pouco após completar seus 17 anos de idade, fato ocorrido no momento da desgraça de sua família.

Com o tempo Pierre passou a controlar a Mudança, a lidar melhor com os espíritos e a entender toda a curiosidade que possuia pelo sobrenatural, místico, mitológico e histórico. Tudo era um anseio natural de seu augúrio. Passou a compreender melhor o que um Theurge representa não só para os Peregrinos, mas também para todos os Garou. Por fim passou a entender melhor as outras tribos segundo a visão dos Peregrinos. Foi então que Amin “Olhos de Falcão Noturno” considerou que Pierre estava apto a passar pelo Ritual de Passagem...

Primeira parte do Ritual de Passagem consistiu em entregar uma mensagem puramente falada de onde estava no momento, entre Safi e Marrakech, até o a fronteira da Argélia, próximo ao rio Qued Dráa. A mensagem em si não era grande, mas o trecho a ser percorrido era grandioso, com trechos montanhosos a serem ultrapassados em curto espaço de tempo. Com toda a dificuldade, Pierre demonstrou sempre grande força de vontade e ao chegar ao destino, sem titubiar passou a mensagem completa a outra seita a que se destinava. Tendo um espírito Coruja invocado pelo próprio Amin, Pierre conseguiu atingir o objetivo e retornar dias depois. Havia passado a primeira etapa de sua passagem.

O segundo ato do Ritual de Passagem consistia em ajudar um fantasma com algo não resolvido. O espírito invocado por outro Theurge que estava na seita era um combatente marroquino morto em combate durante a Segunda Guerra. O espírito estava penalizado por não ter dito o que desejava a sua filha quando ainda era vivo, indo brigado por motivo besta para a guerra e nunca mais retornado. Após primeiros contatos com o espírito, Pierre percebeu que ele estava sendo sincero. O segundo passo seria saber se a sua filha estava viva ou não. Utilizando o Ritual da Pedra Caçadora que Amin havia lhe ensinado, Pierre soube onde a filha se encontrava e decediu investogar seu paradeiro. Após algum tempo de investigação ele encontrou o endereço da filha do fantasma, sendo que ela estava viva ainda. O acordo firmado com o fantasma foi que Pierre escreveria uma carta onde usaria termos e palavras que só o finado saberia e depois entregaria pessoalmente na caixa do correio da mulher. Assim foi feito e o fantasma se satisfez com o resultado, podendo descansar. Estava concluída a segunda etapa do Ritual.

Com a última etapa a iniciar-se, o grupo decidiu caminhar até onde estaria vivendo um vampiro arruaceiro. Não era do tipo mais astuto, mas ainda assim era um vampiro que vivia a mais tempo que o próprio ancião do grupo. Cabia a Pierre eleminá-lo usando tudo que aprendera. Escolheu um par de kukris como armas principais, das quais já estava meio acostumado a usar uma vez que frequentemente treinava com elas, e partiu para caçada da cria de Wyrm. A caçada não foi simples mas Pierre não caiu no erro de subestimar o adversário. Esta foi a etapa mais longa do ritual, pois o vampiro sabia se misturar a multidão e a complicar a sua caçada com este fator. Entretanto, com uso de investigação detalhada, Pierre conseguiu encurralar o vampiro em um beco da cidade de Oujda. Com uma batalha um tanto complicada, já que mesmo tendo o físico vantajoso de um Garou, Pierre não era bem o tipo acostumado a batalhas. Sem nenhuma cicatriz profunda, Pierre conseguiu cravar uma kukri no peito do inimigo e por fim arrancá-lhe a cabeça com a outra kukri. Amin apareceu logo após a conclusão da caçada com um sorriso animador no rosto. O Ritual de Passagem estava concluido finalmente.

Era agora a hora do rebatismo do jovem. Pierre deixaria de se chamar Pierre Guiscard Bahadur para ser chamado de Onuris. Este seria o seu Nome de Lembrança com o significado que seria aquele que trás alguém de volta, uma alusão ao sangue do herói que corria em suas veias e que resultou na descoberta do jovem Garou de certo modo. Como Nome de Mérito Onuris seria também chamado de “Guia das Lâminas Invertidas”, onde o Guia era em referência a atitude de guiar o espírito para o descanso e Lâminas Invertidas era devido a preferência clara de Onuris por kukris e por sua desenvoltura em batalha com elas. Assim nascera Onuris “Guia das Lâminas Invertidas”.

Após o Ritual e seu novo batismo, Onuris passou a caminhar por um ano com Amin. Eles tomaram inicialmente o mesmo caminho indo pelo norte da África, passando rapidamente pelo Egito e subindo o Oriente Médio destino a Europa. Ali Amin teve que se dividir do caminho que tomara com Onuris, mas prometeu o encontrar depois, já que sabia o destino de Onuris.

No momento Onuris encontra-se na França, mais especificamente em Paris, caçando informações sobre um provável vampiro estar atacando pela periferia da Cidade Luz. Realmente... Esse jovem é um visionário que luta por Gaia...

E aqui termina o meu relato sobre Onuris e espero que tenham gostado da leitura.

Pensamento do dia: Conhecer os outros é sabedoria. Conhecer-se a si próprio é sabedoria superior. Lao-Tsé

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Conversa no Espelho – Quanto vale o amor?

Eu estou meio sem tempo de postar aqui, como já perceberam, e decidi postar aqui um texto que escrevi em um momento de tédio, refletindo em coisas que as pessoas falam e falando sozinho em minha mente quando veio a inspiração justamente de ficar falando consigo mesmo em escrever um texto de um homem que falava com seu reflexo no espelho. Um diálogo meio maluco, mas que tem como inspiração o tema amor. Postei este texto no fórum Lendas Infinitas originalmente. Agora segue o texto em si...

Um jovem homem estava parado em frente a um espelho. Ele estava se questionando se sua bela e amada namorada o amava tanto quanto ele a amava, pois precisava ter certeza para tomar uma importante decisão, quando...

- O quanto será que ela me ama? – Perguntara o homem a si mesmo no espelho com uma expressão triste.

- O “quanto” ela o ama? Queres quantificar o amor? – Respondeu o reflexo no espelho ao homem, este se assustando de início, logo respondeu a pergunta.

- Não quero quantificar, não me importa o tamanho dele, mas quero compará-lo...

- Compará-lo com o que?

- Com o meu amor por ela. Preciso saber se ela me ama do mesmo modo que eu a amo.

- Mas amor não se comparar, não se mede. Se aceita ou se recusa, somente isso. Não achas?

- Acho, pelo menos achava. Mas noto que ela não me trata como eu a trato. Não age como eu queria que ela agisse comigo...

- Aí está o ponto! Você quer que ela o ame do seu modo ou do modo que você quer que ela ame?

- Do modo dela... – Respondeu o homem meio titubeante em suas palavras.

- Não sinto convicção em ti. É o que você no fundo deseja?

- Não sei... Eu esperava que ela agisse como eu ajo com ela. É o que eu imagino como expressão de amor. É a minha visão de gostar, de querer, de amar...

- Dissestes bem. És a minha visão. Não que ela seja a visão correta, a visão absuluta. Mas essa resistência existe justamente por querer que as coisas sejam como você quer, como idealizou. No final, quer moldar o amor que ela sente por ti para que o agrade, não estou certo?

- Não sei... Não creio que eu seja tão mesquinho assim...

- Não que sejas mesquinho, mas apenas... egoísta. Você está dando esperando receber algo igual em troca. Mas não estas preparado para receber algo que ela considere equivalente, mas não igual. Só em estar deixando na mão dela a escolha do que é equivalente já pode gerar dúvidas. Mas amor não é também composto por confiança?

- Sim, é... Será que tenho que confiar mais nela e no amor dela? Não posso dizer o que espero receber dela?

- Se disseres o que espera receber será que será... espontâneo?

- Creio que... não... – o semblante do jovem se entristece, pois lembrara que havia sempre sugerido como queria ser tratado por sua namorada e pouco havia perguntado a ela como ela queria ser tratada.

- Não se entristeça. Isso é mais normal que pensas... Mas deves lembrar-se de que amor é algo estritamente subjetivo. Muitos não acreditam nele. Outros acreditam que seja algo divino, mas cada um, mesmo que seja semelhante em alguns pontos, tem sua visão particular do amor. Portanto se exigir que o amor dela seja como você espera, o que estará fazendo?

- Moldando-o.

- Exatamente... Você receberá algo que está amarrado a correntes que tu mesmo colocastes. Vai receber o que espera, mas não terá a surpresa do inesperado! Não vai receber um amor livre, que gere algo que não contava!

- Realmente... Se eu o moldar, deixarei de me surpreender com atos como nunca esperava... – O jovem lembra-se que nunca havia imaginado receber flores de sua namorada em seu aniversário de namoro, como ela fez quando completaram o primeiro ano juntos.

- E o que acontece quando você começa a vivenciar algo que já sabe o que vai acontecer sempre?

- Vem o tédio e a monotonia...

- Isso mesmo. Depois reclamam que o amor esfriou ou morreu. Mas esquece que foste tu mesmo quem o acorrentou, impedindo que florescesse. Foste tu mesmo quem quis medi-lo, impondo limites que você conhecia mas não deixou o amor dela quebrar ou simplesmente mostrar limites ainda maiores para o amor que você conhecia... E no final, colocaria a culpa no amor dela que não era igual ao seu...

- É... Tens razão... Não tem sentido eu questionar o quanto ela me ama. Apenas aceitar como ela me ama...

- E ver se a forma que ela te ama te faz feliz. Se estás feliz, o que importa se ele é maior ou menor? Ele pode ser menor em tamanho, mas pode ser mais forte que imagina...

- Estas certo meu reflexo! Agora mesmo irei comprar as alianças e pedi-la em casamento. Origado!

- Não me agradeça. Agradeça a si mesmo por parar e se ouvir... – Respondeu o reflexo, sumindo juntamente com o jovem, que saiu correndo pela porta com um sorriso largo em seu rosto e olhos reluzindo o brilho da alegria.

Sorte do dia by orkut: Faça uma boa ação por alguém hoje

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Antropomorfismo

Antropomorfismo é algo que existe a séculos na vida do ser humano, por assim dizer. A cultura mística, lendas e mitologias estão impregnadas disso e hoje em dia, com o adendo da modernidade, parece que na verdade ele está é mais espalhado do que nunca, vencendo barreiras da literatura e religião como antes era.

Mas você deve estar se perguntando que raios de palavra é esta, certo? Bem, trata-se de uma palavra que designa a representação em forma humana de deuses, elementos da natureza, animais e até sentimentos, ou seja, coisas que não seriam humanas. Podem ser uma representação total ou parcial das características humanas nesses seres inumanos incialmente.

Digo que é algo antigo porque desde os egípcios haviam deuses ou seres que eram representados com feições humanas. O mesmo em mitologias gregas, romanas, nórdicas e outras. Sempre havia ou um deus tomando formas humanas ou um sentimento aparecendo em forma humana ou ainda animais que ganhavam características humanas. Uma hora ou outra haviam animais falando, por exemplo. Isso já é o suficiente para haver um antropomorfismo.

Nas fábulas infantis também existem vários antropomorfismos, como em Alice no País das Maravilhas, O Pequeno Príncipe, Chapeuzinho Vermelho e assim vai. Animais andando em duas patas e com roupas humanas, como o coelho atrasado de Alice, ou ainda falando ou agindo como humanos, como a raposa de O Pequeno Príncipe ou o lobo de Chapeuzinho Vermelho. Como herdeira direta dessas fábulas, a Disney, que começou seus filmes com estes clássicos, segue a idéia de antropomorfismo direto em vários de seus filmes.

Mas além dos filmes da Disney e outros similares, geralmente destinados ao público infantil, existem muitos outros antropomorfismos. Um dos mais populares são as OStans, que nada mais são do que personificação de sistemas operacionais. Particularmente acho que a mais famosa é a OStan do Windows 2000, conhecida como Win2k. Ela é com óculos e um ar de intelectual. Existem outras, cada uma para um sistema operacional, contando com cada variação que o sistema ofereça.

Além das OStans existem várias outras formas de personificações, como as mecha musumes, que são garotas que personificam veículos, aviões, navios ou mesmo gundams. As maiores representantes dessa forma de antropomorfismo são as Strike Witches, anime onde garotas representam aviões famosos da Segunda Guerra e recebem nomes inspirados nos seus maiores pilotos.

Personificação de softwares, como firefox e thunderbird, e de países, como já citado neste blog com o anime Hetalia, já são até normais e assim vão seguindo em tudo que é querido ou tem fãs, passam a ser personificados.

Mas o mais interessante no antropomorfismo moderno foi que a Yamaha, como estratégia de venda de seu software de voz sintetizada conhecido como Vocaloid, quando lançou o Vocaloid2 já o lançou com a sua personificação: Hatsune Miku. Uma personagem que por definição é simpática já na primeira vista. Provavelmente houve pesquisa de gosto para saber a melhor imagem que poderia atribuir a personificação de seu produto, que por sua vez ajudariam a vendê-lo, já que se tratava de um software de voz, logo nada melhor do que a personificação dele como uam garota agradável cantando com esta voz. Não sei se Vocaloids anteriores já foram concebidos com a aparência, mas Miku foi e é a mais popular dentre as versões de Vocaloids e pode ser exemplificada como a maior referência do antropomorfismo atual.

E finalizo esta postagem perguntando por que será que o ser humano tanto imagina seres parecidos com ele? Será que é para não se sentir só na imensidão deste mundo? Um desejo de ter algo idealizado mais próximo de si? Atração pelo exótico ou diferente?

Sorte do dia by orkut: Nossa força cresce de nossa fraqueza

segunda-feira, 23 de março de 2009

Responsável pelo o que cativas

"E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.
Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.
E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.
Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo...
Mas a raposa voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.
E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.
Mas tu não a deves esquecer.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"

Um trecho do livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. Acho um texto interessante, que mesmo que sendo antigo, desatualizado para nosso século, a essência permanece. Suspeito inclusive que Spice and Wolf tem influências desse trecho também...

Lembro desse texto por ver que muitas pessoas agem de modo leviano com outras pessoas cada vez mais. Esquecem que se você gera algo em alguém, mesmo que forçadamente, você acaba responsável por aquilo.

Existem pessoas que forçam a barra para que a outra faça, pense ou sinta algo que na verdade está na mente da pessoa que forçou. Uns são movidos pelo entusiamos, outros pela fraqueza de personalidade e até ignorância mesmo, mas pessoas cedem e passam a seguir o que foi "vendido" para ela e que ela "comprou".

Notem que não excluo a responsabilidade de quem aceita idéias alheias, mas quem incita também é responsável. Seria como um cafajeste conquistador chegar em uma garota sem experiência alguma, a seduzir e ela entregar-se a uma paixão por este. Depois o cara dispensá-la e dizer que não é responsável por isso.

Claro que é um extremo, mas exemplos extremistas são bons para passar as idéias contidas. Creio que de mesmo modo todos nós somos responáveis por nossas ações e escolhas mas também por aquilo que passamos para os outros. Viver em sociedade merece muitos cuidados que em geral sequer nos atentamos, e para ser sincero, duvide que eu mesmo me atente, exceto quando estou em posição de professor. Por isso gosto de uma frase da música Pursuing My True Self, apertura do jogo Persona 4:

We’re all trapped in a maze of relationships...

Sorte do dia by orkut: Tentar e errar, mas não desistir de tentar