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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Quando a chuva cai

Normalmente deveria ser algo alegre o ato de observar a chuva cair, especialmente no início de ano. Isso tinha no passado, para muitos povos, a simbologia de um ano próspero e alegre, cheio de fertilidade nos campos. Entretanto não é o que acontece em muitos lugares do Brasil.

No início do ano passado aconteceram tragédias anunciadas na região serrana do Rio de Janeiro. Um ano antes o mesmo em Niterói. E este ano acontece no norte e noroeste do Estado do Rio. Acontecimentos previsíveis, que os governos tinham condições de prever e se antecipar, mas nada fizeram, o que me motiva a considerar isso simples falta de vontade polícia mesmo. E o pior é não ser uma exclusividade do Rio de Janeiro, pois Minas Gerais está sofrendo enchentes que também poderiam ser evitadas ou diminuídas, assim como ocorreu no passado em Santa Catarina.

Toda prefeitura e estado consta de geólogos e urbanistas que podem claramente saber se pessoas ocupando áreas de risco estão se expondo ao tal risco anunciado. Então tem sim como evitar ou pelo menos minimizar os danos que chuvas fortes, tão comuns no início de ano, causem na população. Falta na verdade é de um plano decente e contínuo, que não seja parado porque o partido no governo mudou. Afinal de contas, técnicos concursados continuarão trabalhando, independente de qual partido político esteja no poder.

Este ano é ano de eleições, então é hora da população, eu e você, começar a usar informações que existem na internet (de fontes sérias e minimamente confiáveis) e observar o que os políticos têm feito e, especialmente, não têm feito. Cuidar da população não é sinal de bondade, mas de cumprir o que é dever de todo político. Além disso, ver para onde recursos disponibilizados após as tragédias vão parar! Em Teresópolis ficamos sabendo que o prefeito anterior, que foi afastado, usou dinheiro para reconstrução da cidade para comprar notebooks para os seus protegidos. Mas até hoje tem cidades que não viram dinheiro destinado a elas, como umas em Santa Catarina, e pessoas que perderam casas e o poder público não fez nada para elas ainda. Cabe a nós cobrar dos políticos atitudes e saber em quem votar nas elições deste ano.

Além de cobrar dos políticos, temos que observar para onde vão as doações. Ano passado vimos gente se aproveitando da bondade alheia e dizendo que estava recolhendo donativos para as vítimas da região serrana do Rio, mas desviavam estas doações. Este ano a Cruz Vermelha está colhendo donativos, e sinceramente, acredito mais na ação da Cruz Vermelha do que de algumas instituições que se dizem acima de suspeita mas não sabemos a índole de seus membros. Não de todos, mas basta um ou dois "espertos" para estragar todo o sistema. Então é ficar de olho a quem doar também, caso queira fazer o bem a quem está sofrendo.

Espero que chegue o dia que as chuvas de início de ano voltem a apenas significar bom presságio para nós. Até breve!

Pensamento do dia: Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol. Ambos existem; cada um como é. Fernando Pessoa

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Solidariedade - real e falsa

Solidariedade é uma daquelas palavras que embora seja ouvida sempre e com certa constância, é algo que nem todos tem a mesma definição. Muitos usam sinônimos como amizade, companherismo, comunhão, etc. Outros usam definição de ser aquele sentimento de ajudar o próximo. Segundo a Wikipédia, a solidariedade social é a condição do grupo que resulta da comunhão de atitudes e de sentimentos, de modo a constituir o grupo em apreço uma unidade sólida, capaz de resistir às forças exteriores e mesmo de tornar-se ainda mais firme em face de oposição vinda de fora.

O ponto interessante é que em todas as definições eu noto sempre uma referência ao "mais próximo", ou seja, um vizinho, parente, pessoas da mesma cidade, estado ou país. Recentemente, com o terremoto e o tsunami no Japão, eu se fosse positivista diria que esta idéia transcedeu o ponto local para ser global. Mas será que é verdade? Será mesmo que as pessoas são mesmo solidárias ou apenas se deixam levar pelo que é exibido na mídia para ficar com um falso sentimento de "eu ajudei alguém" e achar que é uma pessoa melhor por isso?

O ponto que quero chegar é que eu em minhas viagens de ida e volta pelas ruas, especialmente para o trabalho, noto que essa solidariedade não é bem assim como dizem por aí. Eu viajo constantemente de metrô e pego um ônibus que leva deficientes visuais, incluindo cegos mesmo, para o Instituto Benjamin Constant. Nesse percurso é até triste verificar que as pessoas, especialmente os mais novos, estão cada vez mais indiferentes com a dificuldade alheia. Cansei de ver cego atravessando o ônibus inteiro para que alguém desse lugar, sendo que adolescentes ocupavam o lugar destinado a estes. Mesmo que não ocupasse, custaria ceder o lugar? O mesmo ocorre com idosos. E não é apenas em ônibus, mas metrô também. E engana-se quem acha que está associado a classe econômica, pois noto isso tanto entre pobres quanto (até mais) em meio a mais ricos.

Daí vem a dúvida de o que adianta mandar dinheiro para um japonês do outro lado do mundo que você não conhece se aparece um idoso com dificuldade de locomoção e não cede sequer o seu assento? De que adianta mandar dinheiro para Criança Esperança se quando vê uma criança cega em um ônibus lotado não tem a capacidade de ceder seu lugar? Cenas assim que tenho assistido e ao ouvir notícias na mídia de que brasileiro é um povo solidário, sinto-me enganado. É muito mais fácil ser solidário com um desconhecido do que com alguém que está a sua frente e mostrando suas necessidade. É muito fácil ser solidário quando não precisa sair de sua zona de conforto e apenas descontar um dinheiro em sua conta bancária, enquanto quando precisa mexer seu corpo a coisa muda. Então deixo apenas a questão no ar de qual é a verdadeira solidariedade e qual é a falsa. Não entrarei no mérito de julgar, pois como expliquei no início, isso muda de cada um, mas eu sei bem para mim o que é ser realmente solidário e o que é apenas se enganar achando que é solidário. É bom ajudar, incentivo, mas é igualmente bom, ou até melhor, ajudar quem está ao alcance de nossos olhos.

Pensamento do dia: Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se. Gabriel Garcia Marquez

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Respeito com Clientes

Como comentei na postagem anterior, minha ausência aqui no blog deu-se por um motivo muito chato, onde resumindo tudo, fiquei sem energia elétrica por 8 dias corridos sem dever absolutamente nada a companhia elétrica mas sim um acidente onde a empresa não veio simplesmente consertar o que devia.

A tal empresa em questão é a Light, companhia de distribuição de energia elétrica para a cidade do Rio de janeiro e região metropolitana, incluindo a Baixada Fluminense onde moro no momento. No dia 18 houve um temporal por aqui em que até granizo. Pois bem, 45 minutos de temporal e o bairro todo sem energia até o dia seguinte. No dia seguinte, somente a minha residência ficou sem luz por conta de um maldito chip que a Light colocou na rede aérea aqui e em muitos outros bairros, motivo detectado após conserto. Aí começa a primeira falha da empresa, pois colocou componete eletrônico sem ter caixas vedadas adequadamente, onde seus próprios funcionários já estão cansados de saber qual é o defeito.

O outro grande erro, foi a empresa levantar a rede aérea (em alto de postes) afim de dificultar gatos (roubo de energia). Mas com esta rede mais elevada, apenas caminhões com cesta e braço mecãnico podem acessá-la e fazer reparo. Mas a empresa NÃO dispõe de caminhões suficientes para tal demanda! Além disso, houve o maior de todos: desrespeito com o cliente.

Nossa família sempre pagou todas as contas de energia em dia, antes do vencimento. Daí somos um cliente exemplar para a empresa, sem falsa modéstia. O que se espera de uma empresa que você paga por um serviço assim? Respeito é o mínimo. Mas não foi isso que obtive. Durante os 8 dias sem luz, tive que ouvir inicialmente a desculpa de alta demanda, isso nos primeiros 3 dias. Depois a desculpa tomou uma proporção absurda! Cheguei a ouvir de uma atendente que a empresa NÃO tem a obrigação determinar prazos, sendo que isso foi já com 4 dias de falta de energia! Ela disse com muito orgulho que a ANEEL não determina limites de atendimento de emergência!

Ora esta, a ANEEL é o órgão do governo federal que deveria fiscalizar e gerenciar as empresas de distribuição de energia, pois isso não é favor algum que fazem, já que é simplesmente uma concessão pública. Mas ao contrário de agências reguladoras similares, como a ANATEL, que fiscaliza com rigor as empresas de telefonia e que já usei duas vezes inclusive com satisfação, esta agência simplesmente NADA FAZ! Ela apenas serve para vc, após TUDO resolvido, reclamar da conta! Ela baixou uma resolução que simplesmente libera todas as empresas a fazer o que bem entendem. Não determina prazos a serem cumpridos nem nada. Simplesmente entregam um bem concedido a empresários que fazem o que querem e pronto. Não sei quem fez isso na ANEEL, mas com certeza isso não foi feito para beneficiar o cliente. E notem que isso é para todo o país. Assim, os apagões que tem ocorrido no resto da cidade do Rio e até mesmo os mais recentes no nordeste, estão "dentro do esperado", pois para as empresas, demorar horas ou mesmo dias, estão dentro do esperado.

Enfim, após ajuda de um amigo que é trainee em direito, abri processo contra a Light, ainda quando estávamos sem luz. Após 8 dias, vários protocolos de serviço, somando mais de 20, o caminhão devido veio e pasmem, resolveu tudo em menos de 10 minutos, onde demorou mais o técnico elevar o braço da cesta e abaixá-lo do que fazer o reparo. Algo tão simples onde provavelmente o chefe desses técnicos estava no ar condicionado ou mesmo em sua casa e simplesmente não mandou a ordem de serviço imediatamente. Um completo descaso e desrespeito com o cliente. Fora toda a comida estragada, fiquei com meu trabalho de tese atrasado e precisamos passar a depender da ajuda de vizinhos. Esta parte foi pessoalmente supreendente, pois de onde você menos espera, surge ajuda na hora que mais precisa. Mas isso fica para uma outra postagem.

Termino este texto lembrando que ir no juizado de pequenas causas e abrir um processo contra uma empresa, especialmente grande como uma distribuidora de energia, é simples e basta ter vontade. Se todos os clientes mal-tratados começarem a cobrar atitude, mesmo com a maldita resolução da ANEEL (que a Dilma ainda terá que mudar para poder exigir mudanças das concessionárias de energia) as empresas deverão mudar seu atendimento. Façam valer seus direitos! Façam valer o respeito que merecem!

Pensamento do dia: É preferível cultivar o respeito do bem que o respeito pela lei. Henry Thoreau

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Como você tem andado?

Olá pessoal, como está sendo o feriadão? Aproveitaram bem o Halloween de ontem? Enfim, já temos uma nova e primeira presidente no Brasil. Mas no fundo o título não é para saber como cada um está, mas sim literalmente como têm andado mesmo. Ou seja, a saúde de seus pés.

Ontem fui andando bem longe daqui de casa com chinelos novos e sinceramente, esses trequinhos que prometem massagear os pés e até funcionam bem para andar em casa, são uma praga para quem precisa andar mesmo. Levei meia hora para ir e meia para voltar da zona eleitoral e o resultado é um pé com feridas e bolhas até agora em tão pouco tempo de caminhada na rua... Deveria ter ido de tênis mesmo.

Mas notem que assim como eu, poucos se preocupam com os pés até que eles dão problemas. Interessante que é uma parte do corpo de vital importância por sustentar nosso peso e permitir nossa locomoção. Tanto que quem não pode usá-los sabe da falta que eles fazem, especialmente para um mundo que não se preocupa tanto com quem possui necessidades especiais de locomoção. Um bom exemplo da falta de importância que o pé recebe está na imagem abaixo.

Notem que ao olhar na imagem acima, a primeira coisa que vocês olham com toda a certeza não é o pé da garota. Podem olhar para a bunda, os peitos, as pernas (que é até perto) ou mesmo o usrinho sortudo ali embaixo, mas de fato, a primeira coisa não é o pé, que está justamente em primeiro plano para chamar atenção. Isso representa o valor que a maioria da população dá aos pés.

Os pés tem grande importância que segundo quem aplica massagem nos pés, eles tem pontos que influenciam em todo o corpo, a chamada reflexologia. Não sei de fato até onde isso é cientificamente comprovado, mas muitas pessoas que usam essas massagens se sentem melhores. Ainda há a massagem que é feita com os pés também e suas variantes destinadas ao erotismo.

E falando em erotismo, tem os que possuem fetiche por pés, conhecido como podolatria. É interessante que embora seja algo meio que mundial, eu pessoalmente vejo muito mais imagens relacionadas a este fetiche em animes e mangás que em outras obras. E olha que já li muito livro e HQ adulto, mas a maioria quando trata de fetiche se prende ao sadomasoquismo mesmo. Isso meio que me dá a impressão de que podolatria é algo de oriental, especialmente se lembrar pela fixação que existia na China pelos pés perfeitos a ponto de deformar os pés das mulheres. No Japão existia algo similar mas não chegava a ser tão exagerado quando na China, que deformava e gerava vários problemas de saúde em virtude a agressão sofrida com o tempo.

Existem médicos dedicados a cuidar dos pés na área chamada podologia, que é até recente no país de certo modo e talvez explique porque ainda é meio desconhecido da população em geral. Esses são os melhores indicados para tratar de problemas nos pés, especialmente certas doenças e unhas encravadas, coisa que é boba até se ter ela e ver o problema que dá como não poder usar um ou outro calçado, ou mesmo não aguentar ficar muito tempo em pé. Além disso, quem tem diabetes precisa ter um cuidado redrobado com os pés, pois a doença costuma comprometer os membros inferiores do corpo, a começar pelos pés. Minha avó já falecida sofreu ameaça de ter os pés amputados em decorrência disso.

Então, resumindo, cuidem de seus pés, pois são importantes para vocês, não precisando ser lutadores de kung fu ou qualquer outra arte marcial que use os pés para dar o devido valor a estes membros do corpo. Hoje em dia, especialmente as mulheres, em nome da beleza usam calçados que agridem os pés, as vezes até criando os joanetes e até resultando em dores de coluna. Se a reflexologia for real, ainda acarreta uma série de outros problemas com isso. Então melhor conforto para seus pés do que uns momentos de beleza. E também não agirem como eu e escolherem bem o calçado para a atividade que vai desenvolver. Nada de chinelo com massageadores na sola se forem andar muito na rua...

Pensamento do dia: O esperado nos mantém fortes, firmes e em pé. O inesperado nos torna frágeis e propõe recomeços. Machado de Assis

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Não jogue fora o seu voto!

No próximo fim de semana o Brasil estará elegendo um novo presidente, novos ou reeleger senadores (podendo votar em dois), deputados federais, deputados estaduais e governadores. Sei que muitos devem já ter seus candidatos e seguindo minha idéia de falar menos sobre política nessa época para não "fazer a cabeça" de ninguém, já que eu deixaria transparecer bem minhas idéias políticas aqui, acabei nem postando nada sobre política por aqui. Mas agora venho justamente falar com aqueles que não sabem em quem votar ou se pensam em anular ou votar em branco. Pensem muito antes de jogarem seu voto no lixo!

Há uma certa lenda que espalham nessa época, onde dizem que se vc anular o voto e todos fizerem a eleição será cancelada. É mentira! Durante o governo FHC tal possibilidade foi realmente tirada, e mesmo antes era algo contestável. Votar em branco, como o próprio nome diz, é dar carta branca para que os outros decidam por você. Durante um tempo atrás houve uma onda de "apolitização", onde pessoas se diziam muito entendidas e com certa pose de intelectuais diziam com o peito inflado que eram apolíticos! Ora, se vivemos em sociedade, nós somos por definição seres políticos. O único jeito real de você ser apolitizado é simplesmente se isolando em uma montanha e sendo um ermitão. Se não se isolar da sociedade, não tem como fugir da política. Isso é apenas uma mera ilusão criada para achar que não tem responsabilidade pelos erros ocorridos pelos políticos e assim só reclamar da vida política do país, não fazendo nada de efetivo para mudar o país de verdade.

Votar em branco ou nulo é simplesmente jogar fora o direito de escolher um representante para criar leis e administrar o seu estado e o seu país. O ponto é que quem tem noção política do poder do voto não o joga fora e pode, em casos extremos claro, sua vida daqui a 4 anos ser decidida por uma pequena minoria, caso a maioria pense em jogar o voto no lixo.

Querendo ou não, as nossas vidas são sim influenciadas pelas escolhas dos outros, já que vivemos em sociedade, mesmo quando há a mera ilusão de que as coisas só dependem de nós. E na política ocorre a melhor representação disto, pois a decisão de um grupo de deputados podem influenciar os demais e assim algo que por lógica técnica não teria sentido de ocorre. Daí porque você não escolheu o que melhor representa seus ideais e preferiu jogar o voto fora, uns deputados eleito por uma minoria, lançam uma proposta que vai previlegiar aquela minoria que o colocou no poder e você quem vai ser prejudicado por conta disso. Então posso dizer que quem pode votar e vota nulo ou em branco se nega a assumir a responsabilidade política mas sente na pele o resultado de sua omissão.

Por isso que reafirmo que pensem antes de votar. Se acharem que não há ninguém bom para votar, reanalise novamente todos os candidatos e escolha mesmo o "menos pior" dentre aqueles que estiverem diante de você. Pois mesmo usando esta lógica, você estará escolhendo o que mais se adequa a sua realidade e aos dos outros. Mas vale lembrar que a nossa responsabilidade não termina no voto. Apenas começa um processo de cobranças das promessas e das responsabilidades do candidato. E mesmo que não tenha elegido o que assumiu o poder, você e eu, todos nós, temos o direito de cobrar responsabilidades políticas. Então fiquemos atentos a isto, gravando em quem votou e nas promessas de quem foi eleito também. Lembrem-se disso.

Pensamento do dia: O presente não é um passado em potência, ele é o momento da escolha e da ação. Simone de Beauvoir

sábado, 12 de junho de 2010

A política do cada um por si e a corrida presidencial

Esta semana o senado, em concordância com o que foi aprovado na câmara anteriormente, aprovou as regras que mudam drasticamente a distribuição do dinheiro vindo da exploração do petróleo, os chamados royalties. O ponto polêmico e infundado dos senhores políticos é que eles alteraram dinheiro e repasse de campos de petróleo já licitados e com acordos firmados, coisa essa que em minha concepção fere claramente a idéia de direito adquirido defendido em nossa constituição. O que já foi firmado não deve ser mudado para justamente garantir a execução e os recursos planejados com regras anteriores.

No entanto os nossos políticos "maravilhosos" simplesmente ignoraram isso e votaram uma mudança na lei que, segundo eles, vai melhorar a distribuição de recursos no país. Claro que isso é uma grande falácia! O dinheiro que será dividido será muito pouco relevante, pois ele será diluído em vários municípios e estados, além do fato da já conhecida corrupção que irá parar esse dinheiro bem antes de ser aplicado. Logo o cidadão que está sendo enganado pelos políticos nesse discurso de criador de gado, sequer sentirá melhoria de vida devido a esse dinheiro. Em busca de alimentar seus currais eleitorais, os políticos esqueceram de partidos e ideologias para simplesmente seguir a lógica do cada um por si. Uma lástima...

Vamos agora a fatos claros. Se houver um vazamento de petróleo na baía de Campos, não será o estado do deputado Ibsen Pinheiro ou do senador Pedro Simon que será afetado mas sim o estado do Rio de Janeiro. O mesmo ocorrerá se houver vazamento no Espírito Santo. Então, para justamente cobrir essa eterna ameaça ecológica que existe a distribuição dos royalties. Não é uma distorção no sistema de exploração, mas sim algo previsto, como bem explicou um especialista da Petrobrás em uma entrevista a meses atrás, mas como tudo aqui no Brasil, nessas horas os senhores do legislativo estão pouco se importando com a opinião de quem realmente conhece o assunto e só querem saber de levar mais grana para o bolso ou para seus currais eleitorais, pois garante uma base eleitoral futura. No final estão pouco se importando com o que isso irá fazer com o resto do país e suas consequências...

Uma das consequências que noto é que a Câmara e o Senado simplesmente oficializaram que o que você conquistou e firmou no passado não vale NADA! Eles podem chegar e alterar o direito adiquirido e pronto. Se duas unidades da federação tiveram seus acordos firmados ignorados, quem dirá um mero funcionário público? Ou mesmo uma categoria de trabalhadores que "não tem importância" para a concepção deles. Espero que isso chegue até o judiciário e este determine que tais mudanças são inconstitucionais, pois se passar será um precedente perigoso para a democaracia do nosso país em médio e longo prazo. Resta uma esperança de ainda ser uma grande jogada política, pois sabem que o Lula irá (será mesmo?) vetar o projeto. Mesmo que ele não entre em vigor, os políticos com pouca vergonha irão dizer que tentaram levar mais recursos para seus estados e municípios... Maravilha esta política do cada um por si!

E hoje tivemos as convenções dos partidos, onde a maioria escolheu oficialmente seus candidatos. Agora iremos ver a real corrida presidencial, pois até agora nada era oficial, mas a notar pelos "escândalos" recentes, sejam eles reais ou não, a coisa vai ser feia. Espero que o mínimo de compostura exista, pois ver baixaria não ajuda a imagem de ninguém.

Mas voltando a corrida, é interessante como as coisas são feitas. Houveram candidatos definidos pelo PT e outros partidos, mas somente o do PSDB teve sua história de vida contada no Jornal Nacional. É claramente a preferência da Globo pelo partido do FHC, mas achei que eles tinham encontrado um ponto de equilíbrio, mas hoje novamente vi que nada mudou. O mesmo ocorreu sobre o candidato do PV, que embora eu simpatize com ele e por suas idéias, só em saber que o partido irá se aliar ao DEM e ao PSDB me desmotivou a votar nele.

Por que estou falando de não gostar do PSDB e do DEM? Simples. A política aplicada pelo PSDB durante o governo FHC foi uma das piores já vistas para educação e ciência, área com a qual sou intimamente ligado devido a minha formação. Eu vi e senti o que é ter por 8 anos bolsas e recursos congelados e a cada ano o orçamento sendo mais e mais reduzido. Um governo onde o oficialmente se admitia que era melhor comprar tecnologia a desenvolver uma própria para mim não presta. Por isso que qualquer candidato dos neoliberais do PSDB eu repudio. E sobre o DEM, bem, é o partido do Arruda e dos deputados envolvidos no escândalo de Brasília. Fora que vieram mais e mais denúncias na mídia sobre esse partido e sinceramente não confio nada.

Por pura exclusão vão sobrando a desconhecida candidata do PT, partido que tenho simpatia mas que tem muitos problemas e divisões internas para meu gosto, e a já conhecida do PV mas que demonstrou imaturidade na eleição anterior e o partido tem uma ideologia clara em alguns pontos mas obscura em outros. Negócio agora é acompanhar as eleições e não se prender apenas em propaganda e promessas de campanha. Prometer qualquer um faz. Cumprir poucos fazem...

Nesse pensamento que quero que cada um que está perdendo 2 horas de sua vida para ver jogo da seleção brasileira do outro lado do Atlântico, algo que na prática não acrescenta NADA em nossa vida, possa pelo menos investir uma vez por semana o seu tempo em propaganda política e em ler jornais sobre seus candidatos ou prováveis candidatos. Eu irei fazer isso, pois sei o valor que meu voto tem para não só o meu futuro mas o futuro da próxima geração, possivelmente meus filhos e sobrinhos, quem sabe. Não é por um pedaço de carne ou uma cara bonitinha que irei trocar o meu voto. Meu futuro é muito mais valioso que isso e o de cada um de vocês também.
Para finalizar, se você discorda de tudo que escrevi aqui, ótimo, pois aqui é minha opinião pessoal mesmo e não sou e nem pretendo ser o dono da verdade. Mas apenas reflita nas suas convicções de discordar das minhas. O mesmo para quem concordar também. Assim como não quero que votem em alguém porque a Globo ou a Band disse que ele é bom, não quero que votem em alguém só porque eu disse também. Parem e reflitam em suas convicções. O nosso voto será definido desde já!

Pensamento do dia: A política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano. Voltaire

quarta-feira, 26 de maio de 2010

E vai começar a Copa do Mundo...

Sei que a Copa de 2010 só irá começar daqui a uns 15 dias, mas na prática ela começa hoje para a maioria dos brasileiros, pois a seleção brasileira de futebol saiu hoje em direção à África do Sul, passando antes em Brasília para receber a benção do presidente, levando as emissoras de TV e mídia em geral a se focar mais no dia a dia dos jogadores selecionados pelo Dunga para representar o nosso país na Copa. Agora quase metade das informações serão relacionadas a Copa e a Seleção.

Eu acho bem legal ver essa demonstração de patriotismo no esporte mais popular do país, mas acho um tanto exagerado como a mídia se foca nisso. É algo que chega a ser como uma cena que vi a um tempo, onde um amigo disse a uma colega que não ia ver os jogos e ela perguntou se ele não era brasileiro?! Meio que parece que demonstrar que é brasileiro é ficar na frente da TV torcendo pelos jogadores para vencer cada jogo como se sua vida fosse depender daquilo. Sejamos sinceros que tirando os momentos de alegria e a "vantagem" de sacanear os nosso vizinhos sulamericanos, especialmente os argentinos, vencer a Copa em nada muda a nossa vida e patriotismo exagerado não faz de você mais ou menos brasileiro. Se você é brasileiro e não liga muito para futebol ou até mesmo não gosta, onde fica? Espero que as emissoras lembrem-se disso, já que nem todos tem TV por assinatura. Mas a maioria adora isso tudo, fato!

Bem, é de se esperar esse tipo de comportamento em um país onde pessoas enfrentam 4 horas de fila em sol quente ou sob chuva para ver o seu time de coração, pagando por vezes um valor absurdo para ver seu time perder, mas mesmo assim sentir que valeu a pena. Enquanto isso boa parte dessas pessoas não perdem uns 15 a 30 minutos para ver horário político pelo menos uma vez por semana no conforto de seu sofá e na hora de votar votam em qualquer um ou vota nulo ou branco, passando a decisão de quem vai comandar o país por 4 anos para outros. E essas pessoas que fizeram isso ainda se acham muito mais brasileiras que as que pensam no país e no futuro dele, só porque torcem exageradamente por 11 jogadores que estão representando o nosso país em um torneio esportivo que coincidentemente ocorre na mesma época das nossas eleições presidenciais e gerais.

Então peço que torçam sim para o Brasil e que venha o hexa, mas não nos esquecemos do resto do nosso país, especialmente se o Brasil ganhar a Copa, sem que uma amnésia de quem era Arruda e outros tantos similares na euforia da vitória brasileira e levando o nosso país a uma derrota por 4 anos seguintes. Que a política de pão e circo seja menos eficiente nesse ano e que o ópio do povo não faça efeito dessa vez...

Pensamento do dia: O futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais importante que isso... Bill Shankly

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Pós-morte

Você acredita que existe algo após a morte? A maioria, seja ligada a uma religião ou não, acredita que sim, que existe algo após a morte. Poucos são os que pensam que morreu está morto e fim de papo, você vira pós. A maioria acredita em algo sim e por que será que acreditamos nisso?

Tentarei ser mais independente de minhas crenças, que são das bases da fé cristã, mas sim refletir em algo que seja independente de crenças, pois em quase todas as religiões vemos similaridades. Seja no islamismo, cristianismo, espiritismo, budismo ou outras, elas crêm em duas coisas: uma espécie de vida após a morte e no julgamento pelas nossas ações nesse mundo. A parte de julgar alguém pelo que fez ou deixou de fazer para alguns pode significar uma espécie de controle pela religião, mas creio que seja mais uma forma de ditar o modo de viver com respeito ao próximo e buscando o máximo harmonia, algo também visto em maioria das religiões. Mas como o foco é pós-morte, deixarei esse lado para futura discussões...

Quando se pensa em ter uma "vida" após a morte, seja ela no céu, no inferno, no purgatório, em outra encarnação e etc, isso dá a nós, seres humanos, uma espécie de esperança que nada que estamos fazendo aqui será em vão e mais que isso, poderemos evoluir. Mas precisamos mesmo disso? Creio que sim. Ao vislumbrar um futuro possível, mesmo em "outra vida", passamos a seguir a nossa vida com mais motivação. Acho que isso é o que alguns estudos revelam que quem tem uma fé firme, com orações ou meditações regulares, apresentam mais saúde, meio que indicando que o bem estar promovido pela fé reflete em nosso corpo. Então o ser humano precisa de uma motivação até o final da vida, para quando chegar nesse ponto poder esperar que tudo que fez e viveu valeu a pena.

Entretanto, mesmo com similaridades, as religiões em geral divergem do que existe após a morte. Uns crêm em reencarnação, com o espírito podendo evoluir gradativamente, outros em um único juízo onde após a morte iremos ser indicados a um mundo de maravilhas ou de sofrimento, e ainda aqueles que conforme as suas ações a pessoa pode ser enviada para um dos diferentes céus. Agora, posso eu afirmar que a minha visão cristã do que há após a morte é a correta só por que eu acredito nela? Não. Porque é uma pura e singela questão de fé.

Fé é a pura forma de crer naquilo que não temos provas de que seja verdade, mas considerarmos verdade, saber que algo acontecerá sem nenhuma garantia exceto a palavra dada por alguém, seja escrita ou falada. Seguindo nesse caminho não posso chegar a uma pessoa que as minhas convicções que tenho fé é "melhor" que as que ela tem, no máximo tentar mostrar as bases da minha e quem sabe ela mudar seus pensamentos, mas dizer que um ou outro é errado ou certo é pura arrogância e pré-julgamento, que inclusive é algo repreendido nas maioria das religiões. Isso porque não temos provas físicas de que mortos vivem em outro mundo ou reencarnam ou sei lá o que. Só podemos ter fé mesmo...

O engraçado desse pensamento é que mesmo não tendo provas físicas de o que ocorre após a morte, por justamente a existência de uma vida após a morte não ser possível de ter comprovações físicas por sua pura definição, quem afirma que não há nada não pode afirma a não ser pela sua própria fé no "científico". Pela definição da fé de cada um, fé e ciência nunca estarão conflitando, já que uma não invade o território de outra, como muitos pensam. O que ocorre em maioria dos casos é exageros de um lado ou de outro, mas isso é assunto para outra postagem também.

Além de todo a motivação de que existe uma continuação da vida, isso não serve apenas de conforto para nós que vamos morrer um dia (todo mundo morre, isso é fato) mas para aqueles que ficam. É confortante saber que uma pessoa "boa" e querida irá para o paraíso ou evoluir em outra vida e que aquela pessoa "má" será enviada ao inferno ou reencarnar como um inseto. Enfim, isso dá aquela sensação de que mesmo em meio a injustiças na vida terrena, existe uma justiça superior que dará a cada um o que merece. Claro que há quem não aceite a morte de uma pessoa amada e viva querendo que ela não tivesse ido ou que pudesse trazê-la de volta. Dizem que esses sentimentos não deixam o espírito da pessoa em paz ou atraia espíritos malignos, em suma, a maioria acredita que não aceitar a morte de alguém querido faz mal.

Tudo isso que escrevi é uma forma resumida de uma ideia mais complexa mas é o que pude desenvolver aqui, já que é um assunto para virar noite discutindo com amigos... Talvez por isso tenha ficado um tanto quanto confuso para uns, mas tentei não ser muito longo na reflexão, embora tenha ficado bem maior do que pensei que ficaria... O interessante que as bases de bom e mal, certo e errado, e mérito de suas ações formaram uma espécie de senso comum em todas as religiões e que influenciaram filósofos e pensadores pelo mundo todo.

Pensamento do dia: Se quiseres poder suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte. Sigmund Freud

sábado, 8 de maio de 2010

Como você deseja ser lembrado?

Uma coisa que assusta a muitos é falar sobre a morte, por mais que seja algo mais certo do que muita coisa nessa vida, por mais irônico que pareça dizer isso. A única certeza que temos quando nascemos é que um dia iremos morrer. Mas pensando nisso, como você espera que aqueles que te conheceram vão lembrar de você?

Pode parecer besteira, uma vez que já que morremos, porque nos preocupar como seremos lembrados. Mas será que é besteira mesmo? Muitos pensam em deixar bens materiais, mas isso o tempo, ou a depreparo de quem for receber, tratará de destruir. O tempo é cruel com os materiais e a ganância do ser humano também, então deixar uma empresa para herdeiros despreparados vai dar apenas no que aconteceu com a extinta TV Manchete e as empresas do Grupo Bloch. Fora o fator temporal, não é o que temos e deixamos para os outros que nos faz ser algo, pois mesmo que alguém lembre que você tinha isso ou aquilo com o tempo tais lembranças fracas serão apagadas se não tiver algo mais forte.

Deixar filhos seria uma solução considerada a mais natural. Uns dizem que é deixar sua semente no mundo. Em parte sim, mas apenas se estes filhos forem cuidados e educados por você. Se deixar para outros educá-los, els passarão com o tempo ter mais lembrança da babá e da professora do que dos pais. E mesmo que não seja um terceiro que cuide de seu filho, você não deve simplesmente dizer o que fazer sem dar exemplo, aquele velho "faça o que digo mas não o que eu faço". Assim logo chegamos ao ponto que queria realmente discutir mas que serei breve...

Creio que são nossas ações que fazem sermos ou não lembrados após a morte. Ações muitas vezes transmitem mais de você do que meras palavras. Eu pessoalmente creio que minhas ações vão contar mais para ser lembrado por aqueles mais próximos e que me conheceram do que o que eu tinha ou o que deixei nesse mundo. O ideal de muitos seria ser lembrado como um herói ou alguém que fez a diferença na história. Mas acho que a maioria está longe disso na prática e creio que devemos pensar em ações menores, daí quem sabe estas ações menores contribuam para algo maior, embora seja meio abstrato demais falar isso, mas segue a ideia de que cada um fazendo um pouco contribui para o todo. Eu me contentaria bem se meus amigos, família e pessoas mais próximas se lembrassem com alegria de mim de pelas coisas boas que fiz e por quem eu fui, até porque não tenho grandes bens mesmo para ser lembrado pelo que possui e nem tenho filhos e nem pretendo ter mais como em um passado distante...

Para quem não me conhece nem ligo no fundo de como vão se lembrar de mim, pois sem me conhecer vão ter apenas uma impressão superficial mesmo e om certeza não irei agradar a todos também. Assim vivo para que minhas ações sejam boas ou pelo menos são feitas com as melhores intenções, embora nem sempre são bem compreendidas, mas isso já seria outro assunto para outra postagem... Bem, espero que essa reflexão meio confusa ajude quem ler a refletir na vida, pois por mais que tenha falado de morte, no fundo foi uma reflexão da vida... Se há ou não algo após a morte deixo para discutir em uma próxima postagem, quem sabe na próxima.

Pensamento do dia: A única coisa tão inevitavel quanto a morte é a vida. Charles Chaplin

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O lado "bom" das desgraças

Sempre dizem que tudo nessa vida tem um lado bom e outro ruim, algo como uma visão positiva e outra negativa das coisas. Creio muito nisso e que a "verdade" é muito definida pelo ângulo de quem vê as coisas acontecendo. Pois bem, com toda as tragédias que vem ocorrendo desde o início do ano no Rio de Janeiro, Brasil e mesmo o mundo eu vejo que tem algo positivo de se tirar disso. Sei que perder parentes, amigos e pessoas queridas em desastres naturais como terremotos, enchentes, deslizamentos de terra e coisas que estão (em sua maioria) acima de nosso poder de controle é doloroso demais. Além de perdas "psicológicas" tem as perdas materiais mesmo, como moradia, documentos, objetos de valor e tudo mais. Mas é aí que entra a parte que considero positiva nisso tudo: os bens materiais ficam em segundo plano.

Sério, vejo aqui no Rio todos sensibilizados por mais uma desgraça oriunda das chuvas, que no início do ano causou sérios problemas em Angra dos Reis e depois em Duque de Caxias, dessa vez foi Rio e Niterói. Em todos os casos noto a solidariedade falando mais alto nas pessoas. A valorização da vida e do que é realmente precioso nesse mundo passa a ressaltar mais que os bens materiais e aquilo que normalmente a sociedade consumista tenta passar para todos como coisas importantes. Nesses momentos as pessoas não se importam com o que possuem mas o que são de verdade. E outras passam a ajudar e perceber que não adianta nada ter um carro importado ou casa de luxo, pois para a natureza e para a vida isso não significa nada. Desastres naturais não fazem separação de classe social.

Desastres sempre ocorreram e sempre ocorrerão, mas este ano várias vem acontecendo em pouco espaço de tempo, especialmente terromotos, com o mais recente na China ocorrendo pouco tempo depois do ocorrido no Haiti e no Chile, quando o mundo ainda estava digerindo as destruições ocorridas. Poderia usar qualquer ideia espiritual de que é castigo para os humanos, mas não irei fazer isso. Simplesmente acho que estas coisas estão vindo em um momento em que a sociedade toda precisa mesmo valorizar mais a vida humana. Quando vemos pessoas morrendo de forma tão inesperada passamos a valorizar mais a vida de cada ser humano. A solidariedade brota mais forte e passa a mudar a mente de muita gente.

Além da valorização da vida em si, noto algo mais particular ao Rio, coisa que não sei como está sendo nos outros lugares, que é a conscientização política de verdade. Não aquela política que o brasileiro está acostumado, que chamo de politicagem, aquela ideia distorcida do que é fazer política, mas sim a ideia de política como a forma de expressão entre seres humanos, uma consequência de sermos seres sociáveis. A consciência de que não adianta fazer uma ou duas obras de faixada para resolver problemas graves como nos morros que só agora a Prefeitura irá demolir casas por lá e espero que passem a fiscalizar para impedir que novas pessoas se instalem em tais locais. As pessoas percebem que não adianta ir em ideia de político que quer fazer coisas apenas dentro de seu mandato e sim que as coisas devem ser investidas para a melhoria a longo prazo. Espero que não seja apenas um lampejo de conscientização e que essa semente brote para no futuro as coisas mudem e ninguém vá reasentar famílias em um antigo local de lixão e as pessoas achem isso normal.

Enfim, acho que por um acaso do destino ou vontade divina, estas desgraças estão vindo em um momento que o ser humano precisa realmente passar a valorizar mais as vidas do que os bens materiais. Há uma ideia filosófica (que não adianta que sempre esqueço de quem é essa ideia) de que a cada crise podemos manter onde estamos, regredir ou evoluir. Acho que essas desgraças estão vindo para que possamos evoluir e recuperar o que havíamos perdido com a modernização da vida...

Pensamento do dia: Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade. Confúcio

segunda-feira, 8 de março de 2010

Feliz Dia Internacional da Mulher!

Hoje é mais um Dia Internacional da Mulher, um dia dedicado a celebrar e lembrar da luta por direitos iguais das mulheres, especialmente por melhores condições de trabalho e direito ao voto, coisas não consideradas "dignas" de as mulheres receberem, sendo tratadas como seres inferiores mesmo. Isso não faz muito tempo, mas até inícios do século XX era uma realidade dura. Por intermédio principalmente dos particos e movimentos socialistas, inclusive servindo de estopim para a Revolução Russa, segundo o que está escrito na Wikipédia. Isso mostra que a mulher ser tratada como um ser igual aos homens é coisa recente de nossa história mundial e em alguns lugares, com desculpa religiosa ou simples manutenção de costumes, infelizmente ainda permanecem tal pensamento.

É por todas essas lutas que me revoltam garotas e mulheres aceitando serem rebaixadas a status de mulher-objeto ou simples dispositivo para satisfação sexual masculina. Sexo é bom mas com respeito e valorização, não deixando serem chamadas de cachorras como vejo algumas por aqui no Rio (sim, isso é para funkeiras sim) e aos poucos jogar os direitos adquiridos com muita luta no lixo. Afinal, o que seria dos homens sem as mulheres? Mesmo como inseminação artificial e toda os avanços da ciência, mulheres são essenciais para gerar vida humana e chega a ser meio incrédulo imaginar como por tantos anos as progenitoras da humanidade foram tratadas como seres inferiores, quando deveriam, segundo uma visão mais primitiva claro, serem mais protegidas e bajuladas devido a sua importância.

Mas deixando a parte histórica de lado um pouco e lembrando que embora minha visão de valorização das mulheres ser algo natural, sou contra machismo e feminismo, já que defendo que seres humanos são igualmente capazes, independente de sexo, cor de pele e religião. Seguindo a data comemorativa, desejo flores, rosas em especial, para todas as mulheres. Por que? Simples: rosas são belas, sedutoras e delicadas mas não são fracas e possuem meios para se defender. Desejo que as mulheres sejam fortes mas que não percam a feminilidade e ternura natural. Não precisam ser "mulherzinhas", no sentido de exagerdamente delicadas, mas não precisam ser exageradamente "machonas" também. Equilíbrio é o que mais deixa uma mulher sedutora e apaixonante. E finalizando: Mulheres, não deixem que seu dia passe em branco, mas sim comemorem nem que seja mandando recado no orkut para amigas ou ligando para elas. Homens, dêm os devidos parabéns a elas e agradeçam a Deus por elas existirem!

E ilustrando a postagem de hoje, mulheres fortes com beleza, feminilidade, poder, força, vigor e certa ternura. Mulheres do anime e manga Claymore. Emora alguns ignorantes que mal lêm ou assistem Claymore gostem de definir como Berserker femininas, isso só lembra pelo espadão que elas carregam mesmo. Fora que sou muito mais Claymore que Berserker em todos os aspectos! Mas cada um com seu gosto...

Pensamento do dia: A mulher é um efeito deslumbrante da natureza. Arthur Schopenhauer

quarta-feira, 3 de março de 2010

A banalização da vida

Algo que me incomoda é ver como a vida de um ser humano é banalizada hoje em dia a ponto de ser retirada por uma simples discussão que poderia ser resolvida com um bom diálogo e menos orgulho bobo e infantil. Hoje os noticiários anunciavam dois crimes que tiveram motivos diferentes mas chamaram a atenção. Um deles foi um homem trabalhador que foi morto por um simples recusar de fechar uma janela em Botafogo, bairo do Rio de Janeiro. É nesse que quero me centrar hoje, já que incendiar um ônibus não é novidade, mas sim com pessoas dentro, mas infelizmente era questão de tempo que algo bárbaro como esse acontecesse. Mas vamos ao caso que considero símbolo de banalização da vida...

Embora chocante, infelizmente não é a primeira nem a última morte que ocorre por um motivo bobo. Cansei de saber de mortes ocasionadas por discussões, especialmente de trânsito, mas até por pipa já soube de gente sendo morta. Semana passada um policial federal foi morto por um outro simplesmente porque o primeiro se recusou a entregar a arma (o que acho errado mas é o direito dele como policial federal) e provavelmente por motivo de orgulho besta a discussão resultou em morte. Provavelmente o orgulho besta foi o mesmo motivo que fez o assassino que discutia com o trabalhador que se recusou a fechar a janela do ônibus, a matá-lo.

Mas será que realmente precisaria matar? Claro que não! As pessoas acabam esquecendo-se atualmente que o que nos diferencia dos demais animais é o raciocínio. Quando deixamos de raciocinar e agimos por impulsos estamos agindo como animais. Estas pessoas estavam armadas e por ímpetos de raiva, com um pretenso orgulho ferido, deram fim a uma vida esquecendo-se que aquele ato não só afeta aquele que é morto mas uma família inteira, amigos e conhecidos. Todos que estavam "ao redor" da pessoa são afetadas por um ato de violência desse tipo. Por isso que sou a favor de que ninguém ande armado, exceto policiais, pois se houvesse tolerância zero com armas muita violência banal seria evitada, já que ter ou não arma não evita que você seja vítima de assalto ou outra espécie de violência, sendo apenas uma mera ilusão de auto-defesa.

Morrer por um motivo "nobre" como defender um ideal ou alguém que ama é admirável, morrer por uma fatalidade como um acidente ou desastre é aceitável, morrer por algum crime é revoltante mas ainda dá para entender, mas morrer por motivo banal como uma simples discussão onde o "perderdor" apenas sairia com orgulho ferido é algo que não tem como explicar. Não sei precisar com palavras, mas acho que a sociedade retrocede em muitos aspectos em vez de evoluir, e o valor da vida é um deles, fora a completa falta de diálogo em muitos momentos. Parece que vamos aos poucos voltando a época das cavernas ou para faroeste, onde a força e violência resolvia as coisas e não o diálogo. Para que evoluirmos cientificamente se a sociedade valoriza armas como ostentação de poder? Passamos a estados em que quando algo não funciona o povo procura depredar e dar porrada em vez de conversar e usar meios civilizados para resolver seus problemas. Isso não é evolução, de modo algum.

Mas se pensarmos um pouco podemos ver que isso no fundo é reflexo de omissão do governo quanto a violência, refletindo em todos depois de tanto tempo em uma sociedade violenta, além de descrédito nas vias civilizadas, já que muitas, como abrir um processo contra quem destrói algo que lhe pertence, acaba tendo a sensação de que não dará em nada... Entretanto esquecem que se o nosso país e sociedade está assim, eu , você e todos nós temos uma parcela de culpa nisso, já que não fazemos nada para mudar ou nem para cobrar devidamente quem deveria realmente cuidadar de nós.

Claro que não estou dizendo que a sociedade banalizar a vida humana é culpa dos políticos. Isso é culpa da própria sociedade e de desvalorização de certos valores. Temos que resgatar valores antigos como respeitar e dar valor a vida do próximo, senão estaremos em uma situação cada vez pior. E também aplicar leis mais severas em quem não respeita tais valores, pois sensação de impunidade contribui muito para a violência generalizada.

Finalizo aqui uma postagem um tanto quanto mais um desabafo e meio confuso nas ideias. Só espero que mudemos isso, senão terei que ir para a rua com um taco de beisebol com pregos como a Irisu que ilusta a postagem de hoje. Ela é de um jogo bem diferente estilo tetris que tem finais do tipo sangrentos chamado Irisu Syndrome. Espero que nunca precise de um desses para poder ir trabalhar... Porque sei que o dia que precisar ele de nada adiantará para me proteger mesmo...

Pensamento do dia: Para quê preocuparmo-nos com a morte? A vida tem tantos problemas que temos de resolver primeiro. Confúcio

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Monumentos e conservação

A minha amiga Ichigo esteve na Europa e voltou falando algo que muita gente que já esteve lá já havia me dito: como eles conservam seus patrimônios e monumentos. Realmente, é notório como os seus monumentos são conservados sem que depedrem ou pixem. Esses dias vi na TV que em um país, acho que era na Áustria, colocaram um banco que tocava músicas do artista famoso, Mozart se não estou enganado, onde você sentaria e além de ler sobre a vida dele clicava em um botão no banco e ouveria músicas relacionadas com o período da vida dele e tal. O que me chamou a atenção foi o comentário de meu pai: "Ah se fosse aqui no Brasil..."

Realmente, outro dia vi que existem países que colocam em algumas praças equipamentos de ginástica gratuitamente para o povo se exercitar. Mas aqui no Brasil isso provavelmente seria depredado, assim como monumentos a exemplo dos óculos da estátua de Carlos Drummond de Andrade. Porque isso? Creio que é primeiramente com a ilusão de que colocar monumentos e coisas públicas em geral são de graça. Eu chamo isso de ignorância e até meio burrice generalizada. Claro que se alguém colocou algo para todos isso custou algo e alguém pagou. E quem pagou? Nós todos pagamos!

Quando o governo, seja municipal, estadual ou federal, coloca algo para todos usarem, eles usam recursos que por baixo se originaram dos meus e seus impostos. Ou seja, estamos pagando por eles. Portanto destruir ou prejudicar estes monumentos ou objetos públicos é jogar nosso dinheiro fora. Se todos tivessem esta noção seriam como os europeus e americanos. Eles não são simplesmente mais educados, mas sim sabem o valor de cada coisa. Não tem a noção ingênua e ignorante da vida que aquilo foi colocado de graça.

E engana-se aquele que sonega seu IPTU ou não declara Imposto de Renda que está sem pagar. Sempre que compramos algo já vem com uma carga tributária bem pesada até. Ou seja, você ir comer um simples cachorro-quente na esquina já está pagando indiretamente impostos. A um tempo atrás existia a famigerada CPMF que graças a Deus acabou, mas só lembrar que pagamos por movimentação financeira e produtos fabricados no Brasil ou mesmo importados estamos pagando taxas já faz a gente pensar em que fim é dado ao nosso dinheiro. Se todos fossem mais cientes disso haveria menos desvio de verbas, pois saberiamos que se tais taxas foram pagas devem render um tanto em investmentos que caso não apareçam é que algo está errado.

No final estamos em um ciclo vicioso gerado pela ignorância e pelo sentimento nocivo de querer sacanear o próximo, pois mesmo que haja a ignorância do custo dos monumentos, qual o motivo de depredá-lo? Simplesmente para "sacanear" os outros e se achar superior. Creio que deve estar enraizado com a maldição do pensamento "eu vou me dar bem sobre os otários" que está impregnado na nossa cultura. Assim conservação de monumentos acaba sendo um caso não só de conhecimento e educação mas também de cultura. Devemos mudar isso somente quando parte de nossa cultura mudar. Infelizmente é algo que demora, já que não se muda uma cultura de uma hora para outra, levando anos e as vezes gerações.

Uma pena, pois monumentos, muitos históricos, contam parte de nosso passado e com eles podemos não só admirar como também aprender muito de um povo e uma cultura, fazendo parte de nossa memória. Um povo sem memória é um povo sem autoconhecimento. Assim os monumentos podem ser considerados nossos tesouros e precisamos divulgar a ideia de mudança de pensamento para justamente preservar o que nós é importante, além de poder mostrá-los a quem nos visita com orgulho de quem mostra algo de valor belo e limpo para uma visita.

Pensamento do dia: Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória. José Saramago

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Valentine's Day

É, hoje para o mundo todo, menos o Brasil (até onde sei e me corrijam se estiver errado) é o Dia dos Namorados, mais conhecido como Valentine's Day, mais precisamente Saint Valentine's Day, ou Dia de São Valentim caso queriam adaptar para o nosso português.

A data é conhecida como o dia dos enamorados e apaixonados devido ao fato de que o imperador romano Cláudio II proibia casamentos durante períodos de guerra, pois a sua lógica considerava que os solteiros eram melhores combatentes que os casados. O bispo Valentim se opunha a tal proibição e continuava a celebrar casamentos de modo secreto, mas que com o tempo acabou sendo descoberto, preso e condenado a morte. Durante o cárcere recebia presentes e bilhetes de jovens dizendo acreditar no amor e nesse mesmo período Valentim se apaxonou pela flha do carcereiro, que era cega mas milagrosamente Valentim devolveu a visão. Antes de partr para a morte dexou uma bilhete confessando seu amor por ela. Assim Valentim passou a ser considerado mártir e como a sua morte coincidia na véspera de uns rituais que eram feitos para assegurar a fertilidade das mulheres na Roma antiga, a data ficou marcada. No século XVII ingleses e franceses passaram a comemorar o dia 14 de fevereiro como o dia da celebração dos namorados e assim nasceu o Valentine's Day.

Como aqui no Brasil o São Valentim não é popular, mas sim Santo Antônio é considerado o casamenteiro, provavelmente a data do nosso Dia dos Namorados deve-se a esse fato. Há lenda de que o comércio queria lucrar com a época de baixas vendas no meio do ano e não admitia um dia de muitas vendas como este junto do Carnaval. Não sei a veracidade disso e considero como lendas mas que é uma maravilha para o comércio tal fato, isso é.

Embora não difira quase nada do nosso, o Dia dos Namorados do resto do mundo é uma simples troca de presentes entre namorados, sendo muito comum pedidos de casamentos também nesta data. Interessante como no Japão o comércio realmente interferiu na cultura e o que leva a crer que a lenda citada antes aqui no Brasil não seja tanta lenda assim, mas como ninguém confirma... Bem, no Japão, para assegurar as vendas, estabeleceu-se a cultura de no Valentine's Day as mulheres darem chocolates e/ou presentes aos homens, já que pelo restodo mundo parece que a mulher presentear o homem é um ato charmoso. Daí um mês depois os homens retribuem os presentes no White Day. Assim temos uma forma discreta de muitas garotas e mulheres declararem seu amor a algum homem e caso seja aceito o presente e receba a retribuição no mês seguinte, significa que o amor é correspondido. Algo até aceitável em uma cultura bem rígida, especialmente com as mulheres. Creio que isso que levou o povo a "comprar" a ideia e colocá-la na cultura local.

Bem, como estamos em um mundo globalizado, mesmo no Brasil há aqueles que comemoram o Valentine's Day. Então para quem tem a quem dar um presente, ou seja, tenha namorado(a), aproveite o dia para como uma desculpa para comemorarem juntos e tenham um dia feliz!

Pensamento do dia: O amor é cego, por isso os namorados nunca vêem as tolices que praticam. William Shakespeare

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Clichê é tão ruim assim?

Isso é uma pergunta que venho me fazendo a um certo tempo, desde o mês passado na verdade a ideia fica martelando na minha cabeça. Cheguei a postar em dois fóruns que participo mas não teve muito interesse do povo em discutir, então aqui vou desenvolver melhor o assunto e expor o que penso sobre os clichês, que hoje em dia a palavra "clichê" praticamente é sinônimo de ofensa ou de forma a menosprezar algo. Mas será que é bem isso ou era para ser assim?

Inicialmente Vou citar uma ideia sobre o termo em português e creio que seja o mais próximo da realidade da palavra: "Uma idéia relativa a algo que se repete com tanta frequência que já se tornou previsível dentro daquele contexto."

Quero justamente discutir sobre clichês em obras artísticas, especialmente literária, televisiva, cinematográfica e afins. Podemos notar que a ideia de "ser clichê", a princípio, não é algo ruim, apenas previsível. Então vamos pensar, será que ser previsível é ruim? Quando se menospreza uma obra chamando-a de clichê em tom pejorativo é por ela ser previsível? Será que realmente o que acreditamos ser algo inovador é mesmo inovador?

Enfim, indo ao assunto, creio que o que é ou não clichê depende de alguns parâmetros: cultura local, cultura recente, conhecimento global e conhecimento histórico. Dei esses nomes por parte de minha cabeça e nem sei se tais termos existem, mas vou tentar explicar o motivo de achar que eles definem bem o que cada um pensa sobre o que é ou não clichê, pois para uma pessoa um filme pode parecer previsível mas para outra não, logo clichê é algo de certo modo discitível.

Creio que cultura local e recente sejam definidas por onde você vive, não necessariamente onde você mora, mas com quem fala, com quem interage e como pensa influenciado por seus contatos. Isso dá a você uma visão de mundo mais pessoal e querendo ou não acaba influenciando a sua perpectiva de mundo. Expandindo podemos levar a regiões e até países. O que é hábito de usar em um país pode não ser em outro. Exemplo vivo e claro são novelas da Globo, que por mais que muitas pareçam clichê, quando exportadadas fazem muito sucesso por fugir do padrão dos folhetins lá no exterior simplesmente por ser uma visão mais brasileira. De modo similar eu chamei de cultura recente o que estamos acostumados a fazer nos últimos anos, influenciados por nossos pais e avós. Basicamente seria aquilo que está mais recente em nossas vidas em virtude disso. Os hábitos dos romanos na époda do Império Romano e de um habitante da Europa Medieval foram ficando nebulosas com o passar do tempo até ficarem em desuso ou mesmo esquecidas. Claro que cultura é muito mais que essas definições, mas estou resumindo aqui para não ficar extenso demais e irmos ao ponto.

O ponto é que se eu estou acostumado a ver, ler e ouvir certas coisas, estas coisas passam a ser mais corriqueiras, previsíveis e até chatas. Isso passa a ser clichê para mim. Mas aí que vem os outros dois fatores que citei no início, conhecimento global e histórico. Com conhecimento global posso saber culturas diversas, não ficando apenas na visão local de algo. Assim posso ter acesso a obras do Oriente Médio, da Ásia e outros lugares menos conhecidos, onde estou considerando que Europa e EUA são mais que conhecidos por aqui, sendo EUA mais forte que Europa. O conhecimento histórico é a parte que faz sabermos como os gregos do Império Romano e os europeus medievais viviam, incluindo suas obras artísticas. Ter ou não ter um conhecimento mais amplo faz com que passemos a saber o que é original ou nem tanto comparativamente.

Assim, duas pessoas poderiam ter visto O Gladiador e uma se surpreender com o final que para ele era inesperado e outro achar que seria o final esperado para o rumo tomado no meio ou bem antes do filme. Tudo seria diferenciado que a primeira pessoa se esqueceu ou nunca ouvira falar das tragédias gregas enquanto a segunda pessoa saberia disso e logo associou ao que estava vendo. Resumindamente, o que pode ser clichê para mim, pode não ser para outros por pura questão de cultura e conhecimento.

Mas indo de volta a ideia inicial, mesmo que clichê seja reconhecido, isso não é necessariamente ruim. Um filme de ação espera ter certos elementos presentes e isso todos esperam devido ao clichê associado aos filmes de ação. Idem para outros tipos de filmes. Ou seja, os clichês ajudam a definir um tipo ou tema a ser seguido. Assim, quando você faz a propaganda da obra, seja dinâmica (comerciais em tv ou trailers) ou estática (posters e anúncios em revistas ou jornais) o clichê do gênero da obra é chamado. Tal fato ajuda inclusive a vender e promover a obra se forem bem explorados.

Podemos considerar que existem clichês bem aproveitados e mal aproveitados, ou seja, acabamos tendo assim os bons e maus clichês. Notem agora, indo para algo mais "povão", um bom exemplo: novela do Manoel Carlos. Isso é um bom exemplo de clichê ruim, pois simplesmente todas as novelas dele são similares demais e as fórmulas são cansativas e repetitivas demais. Uma novela com clichês mais aproveitados e jogados de forma confusa é "Tempos Modernos" que passa na Globo. Simplesmente pegaram um monte de ideias e sacudiram em um pote e o que saiu disso usam na novela que é ruinzinha mesmo. Já a novela "Cama de Gato" mesmo com clichês clássicos de qualquer novela o autor (ou autores, não sei ao certo) consegue fazer com que ela prenda e seja agradável de se assistir.

E clichê podem fazer a diferença em uma obra. Vou agora ir um pouco mais para animes e mangas. Um manga que seja um típico manga de comédia onde o protagonista tem uma namorada superpoderosa, pode vir a surpreender justamente em ao longo da trama mostrar elementos que vão além do gênero ou mesmo dar um caminho que não é o esperado. O final inesperado tira o ar de clichê da obra. Assim posso citar dos que me lembro agora, Chobits. Quem leu essa obra de CLAMP sabe que inicialmente o manga parece até uma comédia de harém mas depois ele vai mudando ao longo da trama.

Mas também tem aquela obra que é clichê, não esconde isso, mas usa e aproveita muito bem os elementos clichês de forma a ficar bem agradável para quem veja. Um anime que adoro citar como exemplo é Zero no Tsukaima. Isto porque os clichês usados são utilizados em momentos certos e da forma certa, ficando algo divertido e coerente com o anime, sem ficar chato. Inclusive já tive amigos que mesmo não gostando do gênero de comédia de harém acabou gostando anime por esses motivos. Por isso escolhi o anime para ilustrar esta postagem hoje!

Sendo assim, peço que evitem de usar a palavra clichê como algo sempre ruim e pejorativo, pois é o mesmo clichê que faz você bater os olhos em um trailer no cinema e saber se aquele filme vai te interessar ou não e quando bem utilizados ficam agradáveis. Além disso tudo finalizo que dificilmente vamos encontar alguma obra artística que seja 100% original, pois com os anos que já se passaram e tudo que produzimos, sempre haverá uma ideia ou mesmo fórmula sendo reaproveitada, nem que seja parte dela em parte da obra.

Pensamento do dia: Na Natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Antoine Lavoisier

sábado, 9 de janeiro de 2010

Eita calorão...

Esses dias estava vendo os efeitos do aquecimento global na TV, e chega a ser irônico inclusive, já que a reunião de chefes de estado em Copenhagen foi um fiasco. Vejo no hemisfério norte um frio de rachar, com nevascas e mais efeitos relacionados ao frio excessivo, com termômetros marcando temperaturas cada vez mais baixas, não registradas a décadas. E enquanto isso, aqui no hemisfério sul, sofremos com um calor excessivo, que dá as vezes vontade de ficar em uma banheira, piscina ou algo do gênero, com água fria, o dia todo...

Ultimamente tem feito tanto calor que nem ventilador (sou pobre e não tenho ar condicionado em casa) tem dado para aguentar. Tenho bebido muita água gelada e comido sorvete quando dá, mas mesmo assim é um momento de prazer em meio ao calor. Tudo bem que na Baixada Fluminense é mais quente que a cidade do Rio, mas mesmo assim. Os efeitos secundários são as chuvas torrenciais. Chuvas de verão qualquer carioca está acostumado, afinal de contas isso ocorre todo o ano, mas pelo excesso de calor acaba-se chuvendo mais do que de costume e os efeitos são os alagamentos e deslizamentos de terra que vimos ocorrer por aqui.

E essa semana ainda tive sorimento em dobro, pela incopetência da Light, companhia que fornece energia elétrica no Rio de Janeiro e região metropolitana, incluindo a Baixada. Simplesmente ficamos no bairro sem energia por 3 horas na terça e na quarta foi o absurdo de 6 horas, com 4 horas e meia direto, ela retornando meia hora para depois faltar novamente e só voltar as 2 da madrugada. Isso com um calor absurdo e pasmem, sem uma chuva sequer. Ou seja, quarta nem a desculpa de falta de energia pela chuva havia. Pura incopetência mesmo da Light. Por isso que gosto da Darkness e não da Light em Shaiya!

Mas voltando ao assunto original, estas mudanças climáticas ocorrendo para o excesso tem só mostrado que as aquecimento global, poluição em excesso e desastres naturais não fazem distinção entre pobre e rico, culto ou inculto. Simplesmente afeta a todos e acho que isso que todos deveriam se tocar e parar de achar que as tragédias só ocorrem com o vizinho mas nunca com ele. Ainda há tempo para mudarmos nossas atitudes e evitar o pior para nós e nossos descendentes, pois se está ruim hoje, imagine como estará para nossos filhos?

Mas o verão está aí e muita gente gosta dessa estação, mesmo com esse excesso de calor e chuva, então aproveitem mesmo. No mais, para encarar o calor, recomendo muito protetor solar, mesmo que não vá para a praia (afinal de contas a camada de ozônio está menor e raios UV entram mais que antes), roupas leves e muito líquido, de preferência água e similar, evitando refrigerantes e bebidas alcóolicas. Outro dia estava assistindo a TV e uma médica dizendo que aquela cervejinha gelada que muitos gostam tanto de tomar na verdade fazem mal no verão, já que o alcóol ajuda a eleminar líquido do corpo e você acaba correndo risco de ficar até desidratado. É bom as pessoas se tocarem nisso e beber mais água mesmo. Até porque, como já dizia um vendedor de água mineral, o que mata a sede é água! E fiquem pela sombra, porque o sol está de rachar... E como diz a música usada no comercial da Ford, é o Sol quem queima!

Pensamento do dia: O sol envelhece; Pavio queima por um fio; Verão que apodrece. Flora Figueiredo