segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Onuris "Guia das Lâminas Invertidas"

Eu escrevi uma história para um personagem que irei usar em um RPG de Lobisomem, Apocalipse mestrado por uma amiga no fórum de RPGs Storyteller Bloody Angels e a história deste Garou da tribo Peregrinos Silenciosos e um Theurge, augúrio definido pelos nascido sob a Lua Crescente. Como gostei muito da história decidi postar aqui para compartilhar com vocês. Ainda vou jogar e é a primeira vez que jogo Lobisomem, mas já gostei muito do que li nos livros básico e da tribo. Enfim, sem mais enrolações, já que a história é longa, divirtam-se com a narração de uma terceira pessoa (eu) sobre a vida de Onuris, outrora conhecido como Pierre.

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Pierre Guiscard Bahadur, um rapaz marroquino filho de uma bela francesa de pele clara e cabelos loiros bem claros chamada Isabelle Guiscard com um marroquino de bela aparência, pele morena e cabelos negros chamado Faiz Bahadur. Pierre sempre fora um jovem um tanto introvertido, ficando sempre na sua em meio a outros. Gostava de analisar o comportamento dos colegas mas evitava muita interação. Sempre gostava de história e geografia, além de adorar pesquisar sobre mitos antigos, lendas esquecidas e se interessava pelo sobrenatural também. Seus gostos exóticos despertavam interesses por parte de alguns colegas, alguns curiosos, outros com medo e aqueles que não gostavam dele apenas por ser... diferente. O porte físico de Pierre nunca foi assustador, mas era do tipo saudável, mas pelo seu estilo, poucos percebiam isso. Embora Pierre evitasse brigas, quando eventualmente entrava em uma, era certo um colega ir para a enfermaria. Chegou a ser suspenso três vezes por quebrar partes do corpo de seus colegas que sempre começavam a briga jogando seus livros no chão e agredindo-o. Tirando a sua força inesperada, nada era estranho em Pierre até a puberdade quando começou a ter mais pêlos que o normal para um marroquino de sua idade. Seu pai cria que era herança da parte de sua mãe e sempre fazia esse tipo de piada. Realmente a família de Isabelle tinha homens muito peludos, mas o fato que seu próprio pai tinha mais pelos que o normal, mas nada demais. Provavelmente, concluia Pierre, era a combinação que resultou nisso. Por fim desistiu de andar com “cara limpa” e adotou o estilo de “barba por fazer”. Passou a se interessar por armas brancas e passou a colecioná-las.

Mas o mais estranho durante a puberdade, após seus 14 e 15 anos, foi o início de sonhos com espíritos, ouvir sons estranhos, ver vultos e sentir calafrios. Inicialmente eram eventos ocasionais, isolados que daria a entender ser simples e pura imaginação. Entretanto com o passar do tempo tais eventos foram ficando cada vez mais comuns e ele passou a considerar-se o que os outros chamam de pessoa “sensitiva”. Pobre garoto ingênuo... Pobre Pierre...

Ele na verdade ignorava o fato de ser bisneto de um grande guerreiro garou conhecido como Ruh Bahadur em meio a sociedade humana, mas conhecido como “Terror Prateado das Sombras”, um guerreiro da tribo dos Peregrinos Silenciosos que, segundo consta alguns, chegou a ajudar Van Hellsing contra Drácula, dentro outros feitos realizados ao sul da Europa. Faiz era filho de Abdul, que era filho de Ruh, mas este nunca contara a verdade a seu filho preferindo ser apenas considerado um pai ausente. Assim Abdul nunca contara muito a Faiz sobre seu avô. Assim, mesmo que questionado pela curiosidade sempre marcante por histórias do passado da família de origem provavelmente egípcia, Faiz nunca pode responder com precisão os questionamentos de seu filho. Por outro lado, a família Guiscard tinha uma herança antiga de garous sem grande projeção na sociedade garou. Mas o sangue de dois parentes, acabou que Pierre era um garou e nem ele nem sua família sabia da verdade.

Entretanto havia alguém que sabia. Era Amin “Olhos de Falcão Noturno”, um Theurge que sabia da herança genética da família de Bahadur e esperava ver em sua linhagem alguém que levasse o sangue nobre que outrora trouxera momentos vitoriosos a Gaia. Amin esperava que Gaia trouxesse novamente um herói que ajudasse a reverter a situação que se encontrava o mundo atual. Em segredo acompanhou o Faiz e em sua juventude e depois voltou a acompanhar os passos de Pierre, em nome de algum sinal de que fosse um garou. Entretanto o tempo passava e só haviam para ele sinal de que Pierre era um parente bem ligado as origens garou, mas nada além disso... Mas todos cometem erros, até os garous...

O erro de identificar em Pierre o sangue garou antes de outros resultou que em uma noite de lua crescente, quando Pierre havia, como de costume, ficado até tarde na biblioteca, praticamente sendo expulso para que a mesma fosse fechada, e já retornava tarde para casa quando deparou-se com ela tendo chamas no seu interior. Correu para salvar seus pais, quando foi bloqueado por um homem saindo da sua cass que vestia-se de preto e usava uma espécie de capa ou sobretudo, igualmente preto. Enquanto as chamas consumiam mais ainda a casa dos Bahadur, Pierre pode notar claramente no braço direito do homem a cabeça de seu pai decaptada. Ainda em choque, Pierre notou que o mesmo homem arrastava pelo lindo cabelo de sua mãe o corpo dela que sangrava com o ventre dilacerado e o vestido rasgado. Foi neste momento que Pierre se atentou para o rosto do ser e percebe um riso irônico ornamentado por presas similares aos vampiros que havia lido em livros sobre mitos. Da boca dele escorria sangue fresco. Foi então que o homem abriu a boca e falou:

- Hummm... Embora seja linda, sua mãe não tem um sangue tão delicioso quanto de seu pai... Isso sim é um sangue de heróis! Será que o seu é mais gostoso ainda?

Finalizou lambendo os lábios e arremessando a cabeça de Faiz longe. Este foi o último movimento que Pierre se lembra. Após isto, seguiu-se momentos que ele não consegue até hoje lembrar-se e, para ser sincero, creio que ele não deseja lembrar-se... Momentos de fúria intensa provavelmente foram o que vieram ao ser de Pierre. Testemunhas dizem terem ouvidor gritos amemdrontados de um homem e sons de um monstro. Creio que pela fúria da cena vista, pelo fato de ser um vampiro e pelos relatos, o que ocorreu foi que Pierre teve sua primeira transformação momentos antes de o vampiro atacá-lo. Isto provavelmente surpreendeu o vampiro, pegando-o de surpresa e frente a atrocidade de um Crinos enfurecido, ele nada pode fazer a não ser gritar de pânico, pois seu destino estava traçado pelas garras da fera insandecida a sua frente. Dizem que após os sons, um silêncio mórbido perdurou até um uivo ao mesmo tempo assustador e triste ser ouvido. Ninguém teve coragem de sair de casa e assim a casa dos Bahadur foi consumida por inteiro. Na manhã seguinte só foram encontrados os corpos de Faiz, que estava decaptado e com marcas de batalha, e de Isabelle, dilacerado e com marcas de violência sexual. Ao redor deles apenas marcas de sangue e poeira grossa como de um corpo cremado. Creio que já podemos entender o que aconteceu com o vampiro, certo? Deve ter sido despedaçado e após isso, virou pó ao raiar do sol.

Pierre só se lembra de ter acordado em um pequeno parque na periferia de Marrakech, distante de sua casa que ficava em Meknes. Estava completamente nu e foi acordado por um homem negro, careca, de feições serenas mas que transmitia força e confiança. Ele estendeu seu manto sobre Pierre e disse que o levaria aonde os seus semelhantes estariam próximo.

Assim Pierre passou a conhecer mais sobre sua linhagem, quem fora Ruh, ou melhor, “Terror Prateado das Sombras”. Foi apresentado a um grupo de Peregrinos que tinham costume de passarem pelo Marrocos, e passou a companhá-los em sua trilha que não era longa, ia apenas do Marrocos a Argelia, sempre pelo norte da Africa. Passou assim a conhecer mais sobre quem era e a que se destinava sua vida. Como quem olha um quebra-cabeças depois de montado pela primeira vez, assim se sentia Pierre. Tudo que viveu e sentiu fazia sentido agora. Inclusive e desgraça que abateu sobre sua vida até então “normal”, provavelmente era algum vampiro de um clã que fora castigado por seu bisavô e depois de muito pesquisar encontrou a descendência dele. O jovem sentia-se renascido pouco após completar seus 17 anos de idade, fato ocorrido no momento da desgraça de sua família.

Com o tempo Pierre passou a controlar a Mudança, a lidar melhor com os espíritos e a entender toda a curiosidade que possuia pelo sobrenatural, místico, mitológico e histórico. Tudo era um anseio natural de seu augúrio. Passou a compreender melhor o que um Theurge representa não só para os Peregrinos, mas também para todos os Garou. Por fim passou a entender melhor as outras tribos segundo a visão dos Peregrinos. Foi então que Amin “Olhos de Falcão Noturno” considerou que Pierre estava apto a passar pelo Ritual de Passagem...

Primeira parte do Ritual de Passagem consistiu em entregar uma mensagem puramente falada de onde estava no momento, entre Safi e Marrakech, até o a fronteira da Argélia, próximo ao rio Qued Dráa. A mensagem em si não era grande, mas o trecho a ser percorrido era grandioso, com trechos montanhosos a serem ultrapassados em curto espaço de tempo. Com toda a dificuldade, Pierre demonstrou sempre grande força de vontade e ao chegar ao destino, sem titubiar passou a mensagem completa a outra seita a que se destinava. Tendo um espírito Coruja invocado pelo próprio Amin, Pierre conseguiu atingir o objetivo e retornar dias depois. Havia passado a primeira etapa de sua passagem.

O segundo ato do Ritual de Passagem consistia em ajudar um fantasma com algo não resolvido. O espírito invocado por outro Theurge que estava na seita era um combatente marroquino morto em combate durante a Segunda Guerra. O espírito estava penalizado por não ter dito o que desejava a sua filha quando ainda era vivo, indo brigado por motivo besta para a guerra e nunca mais retornado. Após primeiros contatos com o espírito, Pierre percebeu que ele estava sendo sincero. O segundo passo seria saber se a sua filha estava viva ou não. Utilizando o Ritual da Pedra Caçadora que Amin havia lhe ensinado, Pierre soube onde a filha se encontrava e decediu investogar seu paradeiro. Após algum tempo de investigação ele encontrou o endereço da filha do fantasma, sendo que ela estava viva ainda. O acordo firmado com o fantasma foi que Pierre escreveria uma carta onde usaria termos e palavras que só o finado saberia e depois entregaria pessoalmente na caixa do correio da mulher. Assim foi feito e o fantasma se satisfez com o resultado, podendo descansar. Estava concluída a segunda etapa do Ritual.

Com a última etapa a iniciar-se, o grupo decidiu caminhar até onde estaria vivendo um vampiro arruaceiro. Não era do tipo mais astuto, mas ainda assim era um vampiro que vivia a mais tempo que o próprio ancião do grupo. Cabia a Pierre eleminá-lo usando tudo que aprendera. Escolheu um par de kukris como armas principais, das quais já estava meio acostumado a usar uma vez que frequentemente treinava com elas, e partiu para caçada da cria de Wyrm. A caçada não foi simples mas Pierre não caiu no erro de subestimar o adversário. Esta foi a etapa mais longa do ritual, pois o vampiro sabia se misturar a multidão e a complicar a sua caçada com este fator. Entretanto, com uso de investigação detalhada, Pierre conseguiu encurralar o vampiro em um beco da cidade de Oujda. Com uma batalha um tanto complicada, já que mesmo tendo o físico vantajoso de um Garou, Pierre não era bem o tipo acostumado a batalhas. Sem nenhuma cicatriz profunda, Pierre conseguiu cravar uma kukri no peito do inimigo e por fim arrancá-lhe a cabeça com a outra kukri. Amin apareceu logo após a conclusão da caçada com um sorriso animador no rosto. O Ritual de Passagem estava concluido finalmente.

Era agora a hora do rebatismo do jovem. Pierre deixaria de se chamar Pierre Guiscard Bahadur para ser chamado de Onuris. Este seria o seu Nome de Lembrança com o significado que seria aquele que trás alguém de volta, uma alusão ao sangue do herói que corria em suas veias e que resultou na descoberta do jovem Garou de certo modo. Como Nome de Mérito Onuris seria também chamado de “Guia das Lâminas Invertidas”, onde o Guia era em referência a atitude de guiar o espírito para o descanso e Lâminas Invertidas era devido a preferência clara de Onuris por kukris e por sua desenvoltura em batalha com elas. Assim nascera Onuris “Guia das Lâminas Invertidas”.

Após o Ritual e seu novo batismo, Onuris passou a caminhar por um ano com Amin. Eles tomaram inicialmente o mesmo caminho indo pelo norte da África, passando rapidamente pelo Egito e subindo o Oriente Médio destino a Europa. Ali Amin teve que se dividir do caminho que tomara com Onuris, mas prometeu o encontrar depois, já que sabia o destino de Onuris.

No momento Onuris encontra-se na França, mais especificamente em Paris, caçando informações sobre um provável vampiro estar atacando pela periferia da Cidade Luz. Realmente... Esse jovem é um visionário que luta por Gaia...

E aqui termina o meu relato sobre Onuris e espero que tenham gostado da leitura.

Pensamento do dia: Conhecer os outros é sabedoria. Conhecer-se a si próprio é sabedoria superior. Lao-Tsé

2 comentários:

Naty disse...

olá!!
legal essa história!! ^^
vocÊ esta inspirado em lobisomens, alguma relação com o filme que estreiou?
perdi o post de ontem T_T
dias dos namorados... mais fazer o que né, aconteceu uma coisa chata a noite, por isso nem usei o pc (se bem que meu irmão monopolizou ele)
vai ter continuação essa história? eu gostei muito dele, a narração está perfeita (pelo menos para mim)
^^
beijos, e até mais

Hidekee disse...

>Naty:

Bem, imaginei que iam achar isso, mas não tem nada a ver com o filme hahahahhaha... É apenas um RPG no mundo ambientado juntamente com Vampiro, A Máscara, tendo Lobisomem, O Apocalipse como contra-ponto. Sempre quis jogar mas nunca tive oportunidade xD

A história continua só dentro do RPG que nem começou ainda. Então não devo postar mais aqui nada sobre o personagem ^^'

E obrigado pelos elogios =***