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quarta-feira, 3 de março de 2010

A banalização da vida

Algo que me incomoda é ver como a vida de um ser humano é banalizada hoje em dia a ponto de ser retirada por uma simples discussão que poderia ser resolvida com um bom diálogo e menos orgulho bobo e infantil. Hoje os noticiários anunciavam dois crimes que tiveram motivos diferentes mas chamaram a atenção. Um deles foi um homem trabalhador que foi morto por um simples recusar de fechar uma janela em Botafogo, bairo do Rio de Janeiro. É nesse que quero me centrar hoje, já que incendiar um ônibus não é novidade, mas sim com pessoas dentro, mas infelizmente era questão de tempo que algo bárbaro como esse acontecesse. Mas vamos ao caso que considero símbolo de banalização da vida...

Embora chocante, infelizmente não é a primeira nem a última morte que ocorre por um motivo bobo. Cansei de saber de mortes ocasionadas por discussões, especialmente de trânsito, mas até por pipa já soube de gente sendo morta. Semana passada um policial federal foi morto por um outro simplesmente porque o primeiro se recusou a entregar a arma (o que acho errado mas é o direito dele como policial federal) e provavelmente por motivo de orgulho besta a discussão resultou em morte. Provavelmente o orgulho besta foi o mesmo motivo que fez o assassino que discutia com o trabalhador que se recusou a fechar a janela do ônibus, a matá-lo.

Mas será que realmente precisaria matar? Claro que não! As pessoas acabam esquecendo-se atualmente que o que nos diferencia dos demais animais é o raciocínio. Quando deixamos de raciocinar e agimos por impulsos estamos agindo como animais. Estas pessoas estavam armadas e por ímpetos de raiva, com um pretenso orgulho ferido, deram fim a uma vida esquecendo-se que aquele ato não só afeta aquele que é morto mas uma família inteira, amigos e conhecidos. Todos que estavam "ao redor" da pessoa são afetadas por um ato de violência desse tipo. Por isso que sou a favor de que ninguém ande armado, exceto policiais, pois se houvesse tolerância zero com armas muita violência banal seria evitada, já que ter ou não arma não evita que você seja vítima de assalto ou outra espécie de violência, sendo apenas uma mera ilusão de auto-defesa.

Morrer por um motivo "nobre" como defender um ideal ou alguém que ama é admirável, morrer por uma fatalidade como um acidente ou desastre é aceitável, morrer por algum crime é revoltante mas ainda dá para entender, mas morrer por motivo banal como uma simples discussão onde o "perderdor" apenas sairia com orgulho ferido é algo que não tem como explicar. Não sei precisar com palavras, mas acho que a sociedade retrocede em muitos aspectos em vez de evoluir, e o valor da vida é um deles, fora a completa falta de diálogo em muitos momentos. Parece que vamos aos poucos voltando a época das cavernas ou para faroeste, onde a força e violência resolvia as coisas e não o diálogo. Para que evoluirmos cientificamente se a sociedade valoriza armas como ostentação de poder? Passamos a estados em que quando algo não funciona o povo procura depredar e dar porrada em vez de conversar e usar meios civilizados para resolver seus problemas. Isso não é evolução, de modo algum.

Mas se pensarmos um pouco podemos ver que isso no fundo é reflexo de omissão do governo quanto a violência, refletindo em todos depois de tanto tempo em uma sociedade violenta, além de descrédito nas vias civilizadas, já que muitas, como abrir um processo contra quem destrói algo que lhe pertence, acaba tendo a sensação de que não dará em nada... Entretanto esquecem que se o nosso país e sociedade está assim, eu , você e todos nós temos uma parcela de culpa nisso, já que não fazemos nada para mudar ou nem para cobrar devidamente quem deveria realmente cuidadar de nós.

Claro que não estou dizendo que a sociedade banalizar a vida humana é culpa dos políticos. Isso é culpa da própria sociedade e de desvalorização de certos valores. Temos que resgatar valores antigos como respeitar e dar valor a vida do próximo, senão estaremos em uma situação cada vez pior. E também aplicar leis mais severas em quem não respeita tais valores, pois sensação de impunidade contribui muito para a violência generalizada.

Finalizo aqui uma postagem um tanto quanto mais um desabafo e meio confuso nas ideias. Só espero que mudemos isso, senão terei que ir para a rua com um taco de beisebol com pregos como a Irisu que ilusta a postagem de hoje. Ela é de um jogo bem diferente estilo tetris que tem finais do tipo sangrentos chamado Irisu Syndrome. Espero que nunca precise de um desses para poder ir trabalhar... Porque sei que o dia que precisar ele de nada adiantará para me proteger mesmo...

Pensamento do dia: Para quê preocuparmo-nos com a morte? A vida tem tantos problemas que temos de resolver primeiro. Confúcio

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Financiamento do crime

"Acho isso uma besteira. É difícil dizer que o usuário financia o tráfico. As armas que são usadas nas favelas do Rio de Janeiro, por exemplo, são russas, iraquianas e americanas. Não tem um usuário que leva lá. A gente tem uma polícia corrupta. Todo mundo tem culpa nisso." Marcelo D2 para o Jornal Extra no dia 22/09/09.

Começo o assunto justamente citando na íntegra o que fora publicado no jornal citado como sendo declarações do nosso famoso músico que tem 18 processos por apologia ao uso de maconha, dado também citado pelo jornal. Bem, sabemos que não é de hoje que o D2 defende a legalização da maconha, assim como algumas pessoas também a defendem, o que por um lado tem até certa lógica, já que o governo ganha dinheiro recolhendo impostos sobre "drogas legais", que são o álcool e o cigarro.

Bem, se maconha faz ou não mal a saúde, se ela vicia ou não mais que o cigarro, eu não entrarei no mérito da questão, pois tem estudiosos no assunto que podem saber se vale ou não vale a pena o governo legalizar a maconha. Mas vamos fazer um simples exercício mercadológico e notar o absurdo citado pelo cantor e compositor citado...

Se alguém financia uma pessoa, significa que esta mesma pessoa recebe dinheiro do tal alguém. O tal alguém não precisa entregar o material, até porque ele deixaria de ser financiador para fornecedor, uma diferença clara. Então seguindo no mesmo rumo, imaginamos o tráfico de drogas pelo simples âmbito de um comércio clandestino, que como todo o comércio segue a famosa lei do mercado de oferta e procura. Portanto se eu compro uma droga, estou dando dinheiro ao traficante, então é mais que óbvio que estou financiando-o.

Se a quantidade de financiamento é grande ou pequena, como qualquer comércio no mundo, depende de quem oferta, a raridade e qualidade do produto, e o principal: poder aquisitivo do consumidor! É mais que claro que aquele desempregado que é viciado em cocaína não terá como manter seu vício, exceto que ele venha a fazer "serviços" secundários, como roubar, tomar conta de boca de fumo e outros meios ilegais, para assim manter seu vício. Mas os "playboys" que possuem dinheiro para queimar em drogas, eles não querem saber quanto custa a droga, desde que seja de "alta qualidade". Portanto eles são na realidade os maiores financiadores do crime organizado.

Os fuzis, pistolas, revólveres, grandas e até bazucas trazidas de fora pode e deve ter policiais corruptos envolvidos, pois trazer estes produtos pelas fronteiras federais e estaduais sem levantar suspeitas é no mínimo... suspeito. Entretanto vale lembrar que o mercado bélico é um dos mais rentáveis e ferozes que existem no mundo e ninguém iria "doar" armamentos para traficantes brasileiros. Para que as armas chegem até eles, precisam comprar. Com que dinheiro eles compram?! Com o dinheiro do tráfico de drogas, que por sua vez não são necessariamente produzidos em nosso país, mas para tudo isso tem seu lucro e portanto com o lucro os traficantes podem "expandir territórios" ou "proteger suas áreas de domínio". Não muito difere de certos países por aí...

Mas aí o leitor deve estar se perguntando: se é tão óbvio porque tantas pessoas, assim como o D2, tentam "inocentar" o usuário da culpa no aumento da criminalidade e do poder do tráfico? E eu respondo que isto é um movimento dos que possuem maior status social tentarem desvencilar e aliviarem as penas de seus semelhantes, geralmente os filhos, de serem taxados como "drogados", "bandidos" ou simples "financiadores do tráfico". Claro que considero que usuário deve ser tratado de modo diferenciado no que conta em tratamento, pois um usuário dependente é diferente de um traficante. Entretanto os usuários são tão cúmplices quanto os fornecedores de armas para os traficantes para o aumento da criminalidade. Isso sem contar nos crimes que eu chamaria de secondários, como um cara "doidão" agredir ou matar alguém, consciente ou inconscientemente. Mas como os maiores financiadores mesmo tem certo poder aquisitivo e se sentem melhores que os que moram na favela e só porque não seguram um fuzil ou fazem trabalho de "aviãozinho" para suprir seu vício, querem se sentir "afastados" da situação que ajudaram a instaurar e alimentam com seu dinheiro.

No final das contas, usuário financia o tráfico, assim como o cliente do McDonald's financia o BigMac. Se eu compro o produto, é claro que estou financiando a compra de algo, nem que seja matéria prima para novos produtos, para o que está me vendendo, já que o significado da palavra financiar no Aurélio significa fornecer dinheiro, fundos, capitais; custear as despesas, a compra de alguma coisa. A verdade precisa ser encarada de frente para que a sociedade realmente mude de atitudo e não tentar maquiá-la...

Sorte do dia by orkut: Simplicidade é o que há de mais sofisticado

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Seu carro é seu Gundam?

Por mais estranho que possa parecer, muita gente acha que seu carro é um Gundam, um poderoso robo gigante construído para batalhas. Pelo menos é assim como muitos se comportam ao se sentarem atrás do voltante de um automóvel. Parece que são superiores aos demais e podem fazer qualquer coisa com isso. Se sentem também mais atraentes e irresistíveis. Tanto que até hoje tem lugares e grupos que consideram aquele que tem um carro possante "o cara".

Interessante que de certo modo tem uma certa razão, pois um carro é veículo pesado, de mais de uma tonelada, e potente, pois pode atingir facilmente 60 km/h, uma velocidade bem "babaca" mas que ao colidir o impacto proporcional a velocidade ao quadrado e multiplicada pelo peso do veículo. Tais características transformam este simples veículo de transporte em uma potente arma contra quem está a pé e até quem está em outros veículos, já que uma simples colisão em uma velocidade considerada baixa para muitos, pode matar facilmente se no momento da colisão for uma pessoa. Então a pergunta simples é, por que com um objeto tão perigoso ainda tem gente que insiste em beber e dirigir?

Essa semana fiquei assustado com uma reportagem que foi exibida no Jornal Nacional, onde um motorista mineiro, embriagado, ao ser abordado por policiais, já que demonstrava estar alcoolizado claramente, partiu em desparada, dando início a uma perseguição pelo centro da cidade. Este ser inconsequênte causou ao longo de sua fuga três acidentes, sendo que um deles o famigerado atropelou uma mulher que andava pelas ruas e NADA tinha a ver com a história. Ela acabou morrendo de imediato, sendo que o motorista sequer prestou socorro e continuou fugindo. Ou seja, por conta de um ato um tanto ridículo, uma família provavelmente foi destruída.

O mesmo acontece para aqueles que insistem em desafiar os limites de velocidade, acelerando como se a vida fosse um video game, como GTA por exemplo. Não sei o motivo específico, mas sei que a velocidade sempre mexeu com o ser humano e ainda mais quando se está com álcool no sangue, esta mistura é terrível. Muitos fazem isso para simplesmente aparecer para outros, para aparecerem mesmo. Já vi alguns dizerem que é frustação, muitas sexuais, e portanto uma projeção disso em algo que lhe dá um sentimento de poder. Outros dizem que simplesmente a sensação de poder nua e crua. Como o carro é algo legal de maior facilidade, é o que ocorre. O mesmo seria em certos lugares com a posse de uma arma, como em áreas dominadas pelo tráfico, onde jovens querendo esse "poder" entram para a vida de crime, mesmo sabendo que é uma vida sem muito futuro, onde eu dirinha nenhum na verdade.

O mais chato de quem fica vendo essas barbaridades é ver que existe a lei seca que impede o motorista que ingeriu alguma bebida alcoolica de dirigir na prática não é muito eficaz, já que se o motorista bêbado se recusar a fazer o teste do bafômetro ele também pode se negar a fazer exame de sangue, tudo porque uns juizes interpretaram que o cidadão pode se recusar a fazer um exame pos estaria fornecendo prova contra si mesmo. A pergunta que fica no ar é se os tais juízes já tiveram um conhecido ou parente atropelado? Nem pergunto se a pessoa morreu, mas se foi atropelado porque um ser estava embriagado. O pior que destes que se recusaram, quase a totalidade deles foram inocentadas depois. Um completo absurdo como as coisas são encaminhadas nesse país, fazendo leis que poderiam fazer diferença virarem uma verdadeira piada.

Só fica o lembrete que seu carro não é um Gundam, logo mesmo o motorista está passível de morrer em um acidente. Ou mesmo perder membros da família para outros motorista bêbado. Acho que se todos na sociedade não estivessem tão desapegados a vida alheia, a violência em uma escala geral seria menor. Noto que a sociedade brasileira aos poucos caminha para um estado de total desapego e respeito a vida se continuar assim. Espero que esse quadro mude, pois acredito que pode-se mudar, mas vendo casos de violências, desde no trânsito a criminais, é triste ver como a cada dia cada um dá menos valor a vida e que as autoridades não conseguem mudar e acabam até se contaminando, gerando violência policial. O fato é que violência gera mais violência, em qualquer escala e âmbito...

Sorte do dia by orkut: Compartilhe sua felicidade com os outros hoje mesmo

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Justiça para todos?

Bem, recentemente aconteceu um fato infeliz aqui no Rio de Janeiro, onde uma mãe deixou sua filha de cinco anos no apartamento sozinha enquanto foi buscar ou a filha mais velha ou um refrigerante (até agora as informações são desencontradas nos noticiários) e nesse meio tempo a garota joga mochila, travesseiro e lençol pela janela e depois despenca do andar onde morava. A morte dela foi imediata. A mãe logo que soube ficou desesperada e tudo isso foi gravado pelo circuito interno de TV do condomínio.

Interessante que ela não é de um poder aquisitivo alto, vindo logo a ser presa, juntamente com seu marido. Ambos ficaram presos por abandono de incapaz, mesmo com o entendimento de que eles não tiveram envolvimento direto com a fatalidade, mas por simplesmente deixar a criança sozinha no apartamento. Ontem soube que a promotoria quer tirar a guarda da filha mais velha do casal.

Aí entra o comentário que tenho ouvido em casa, na vizinhança e até na rua, metro, ônibus e etc: Como a justiça é rápida com os pobres. Isso porque os ricos sempre arranjam um jeito de serem liberados ou responderem processo em liberdade ou mesmo serem inocentados.

Não estou criticando as ações dos policiais, delegados, promotores e juízes, mas é de se estranhar que quando se tem um certo poder aquisitivo maior, a justiça anda de forma diferenciada. O povo inclusive observa isso, e observa muito bem.

Notem que o caso da garota Isabela a justiça foi mais lenta. Tudo bem que os casos são BEM diferentes, não havia imagens gravadas para culpar ou inocentar, mas o povo não quer saber muito disso quando compara os casos. Idem para casos de sonegação clara com notas frias de empresas voltadas para pessoas da classe alta, onde há tudo para prender as responsáveis mas não ocorre porque elas tem como pagar vários advogados para entrarem com vários recursos.

Embora a justiça seja para todos na constituição, sabemos que quem não tem dinheiro acaba tendo a justiça atuando de forma mais rápida e as vezes chegando a ser injusta, como pessoas presas apenas por serem honônimas a bandidos e terem que lutar presas para provar isso. Assim como bandidos que roubam milhões de reais ficam livres mas quem assalta uma bolsa está preso. Não que o bandido da bolsa deva estar livre, mas sim o bandidão dos milhões também deveria estar.

Isso tudo pode parece bobeira para uns, mas no final das contas influencia a nossa sociedade negativamente, pois o sentimento de impunidade vai permeando dos mais poderosos aos mais pobres, mas quando os mais pobres começam a ver que eles são punidos e os poderosos não, começa a haver revolta, aumentando a violência por parte dos bandidos mais pobres, que são os que estão mais próximos de mim e de você. Ou seja, a violência que estamos vivendo em parte deve-se a justiça não ser na prática como deveria ser: para todos...

Sorte do dia by orkut: O otimista diz que vivemos no melhor dos mundos, e o pessimista teme que isso seja verdade